Família padrão comercial de margarina, carreira de prestígio e condições aparentemente acima do perfil da classe média. Vida perfeita, desejada por qualquer mortal. Em Hostages, nova série da CBS, que estreia amanhã, às 22h25 na Warner, essa é a realidade da médica Ellen Sanders, interpretada pela atriz Toni Collette. Mas, no episódio piloto, logo nos minutos iniciais, ela passa do céu ao inferno e vê seu paraíso tomado por um tsunami.

Reflexo de seu sucesso profissional, Ellen é escalada para realizar uma cirurgia no pulmão de Kincaid (James Naughton), presidente dos Estados Unidos, procedimento relativamente simples – somente um erro grotesco seria capaz de colocar a vida do paciente em risco. E é exatamente este o plano de Duncan Carlisle (Dylan McDermott), agente especial do FBI: provocar a morte do governante durante a operação.

Duncan instala câmeras na casa e consultório de Ellen, persegue seu marido e filhos, instala escutas telefônicas, descobre todos os detalhes de suas rotinas e, por fim, sequestra toda a família. Motivo: convencer a médica a matar o presidente na mesa de cirurgia. Caso não aceite a proposta, o bando exterminará seus entes amados.

A nova série do produtor executivo Jerry Bruckheimer (da franquia CSI) terá curta temporada para o padrão das estreias de fall season: 15 episódios. É inspirada em uma trama homônima israelense, que sequer chegou a estrear no país, e bebe na mesma fonte da aclamada Homeland: drama político, liderado por uma mulher, com enredo que não define, à primeira vista, o verdadeiro vilão da história. E os elementos que aproximam as tramas não param aí: vida do presidente em risco, “terrorista” infiltrado no FBI, duelo entre ética e paixão, castelos de areia e relações amorosas improváveis.

Durante as primeiras horas do sequestro, a família tenta acionar a central de segurança da casa, mas Duncan bloqueia as possibilidades de contato com o mundo externo e coage a todos, mostrando, individualmente, conhecer os segredos de cada um. Nesse momento, as verdadeiras identidades são reveladas: Brian (Tate Donavan), marido de Ellen, mantém uma relação extraconjugal e tem fracassado nos negócios; o adolescente Jake (Mateus Ward) é viciado em maconha e revende para os amigos do time de lacrosse; enquanto isso, a filha, Morgan (Quinn Shephard), esconde sua gravidez.

Com as vidas nas mãos do sequestrador, todos passam a incentivar a médica a seguir as ordens do grupo e aceitar matar Kincaid.

A dúvida inicial fica em torno da obsessão do agente em executar o plano, mas logo é respondida: Duncan revela que há 32 anos o presidente estuprou a mãe de sua mulher e não reconheceu a filha bastarda, que está em coma no leito de um hospital. O motivo não é apresentado, mas o agente a visita regularmente e nada além de vingança passa por sua mente.

Ellen promete acatar as ordens, mas na sala de cirurgia troca o frasco do sedativo por um anticoagulante, que impede o procedimento, adiado por 15 dias. Em crise com sua ética e o amor pela família, ela ganha tempo para tentar escapar da emboscada.

Embora tenha uma carga excessiva de informação, que antecipa aos espectadores quem é quem na história, o primeiro episódio dispersa o suspense, mesmo com a trilha sonora tentando induzir para o clima de tensão. No entanto, as cenas mais intrigantes são mostradas no final, quando anuncia-se o preview da temporada: Duncan é delatado por um de seus comparsas, a cirurgia do presidente é adiada por tempo indeterminado e Ellen se deixa seduzir pela história do agente do FBI.

*Matéria publicada na edição de hoje do Caderno 2