Quase quatro meses após ser aclamado pela crítica e acabar premiado no Festival de Cannes com a Palma de Ouro – principal prêmio do evento -, o filme La vie d’Adèle (A Vida de Adèle, em tradução livre), volta a chamar a atenção, mas desta vez por motivos pouco louváveis.

Em entrevista ao The Daily Beast, as atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux relataram o caos das gravações comandadas pelo diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche. Elas dizem terem sido forçadas a situações humilhantes, como, por exemplo, ficar dez dias completamente nuas nos estúdios para gravar uma cena de sexo, que durou dez minutos no material final exibido nas telonas.

“A maioria das pessoas na vida real sequer se atreve a fazer o que ele nos obrigou e geralmente tem mais respeito um pelos outros. Ele não”, comentou Adèle, protagonista do filme. “A cena do primeiro encontro das duas dura somente 30 segundos, mas ele nos fez gravar mais de 100 vezes em um dia. Era tudo feito com certa violência e humilhação. Foi um sofrimento e exploração”, completou Léa.

Adèle revelou os bastidores de uma cena em que apanha da personagem de Léa. “Você pode ver que estávamos sofrendo de verdade. Ela me bateu muitas vezes e ele (Kechiche) gritava: acerte-a! Bata nela outra vez!”, comentou. “Se fosse nos Estados Unidos, todos nós estaríamos na cadeia”, brincou Léa.

O filme está prestes a estrear no circuito aberto na França, previsto para o dia 9 de outubro. No mês seguinte, as salas do Reino Unido passarão a exibir a produção. A mídia internacional acredita que tais declarações podem comprometer o bom desempenho nas bilheterias.

Questionada sobre a experiência, Léa enfatizou ter sido horrível e garantiu que nunca mais quer voltar a atuar nas mesmas produções que Kechiche. Até o momento, o diretor não se pronunciou sobre as declarações das atrizes.

La vie d’Adèle conta a história de uma adolescente de 15 anos, interpretada por Adèle Exarchopoulos, que após se envolver com alguns rapazes acaba se apaixonando por Emma (Léa Seydoux), uma jovem rebelde de cabelos azuis e estudante da Belas Artes. O filme mostra o descobrimento da sexualidade da jovem, regado a muitas cenas de nudez e sexo.

Ironicamente, o filme foi premiado em Cannes um mês após a França ter aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Na época, grupos conservadores organizaram marchas, que reuniram milhões de pessoas nas ruas de Paris, pedindo o cancelamento da nova lei. Os protestos foram marcados pela violência de alguns rebeldes, que atiraram pedras contra policiais e jornalistas. Cerca de 350 acabaram detidos.