Existem megashows de pop, com produções plastificadas e toda aquela parafernália alegórica, empregada para distrair a plateia dos eventuais desafinos e playbacks. E existe o show de Beyoncé, que entre entonações graves, rebolados e muita dose do famigerado girl power hipnotiza e arrebata multidões. Comparada à performance no Rock in Rio, a desta noite, em São Paulo, foi maior e – por que não dizer? – melhor. Músicas que ficaram fora do set list carioca (Miss You, I Care e Grown Woman) ampliaram o espetáculo e o Estádio do Morumbi se entregou ao talento da diva.

“Eu te amo São Paulo. Estou tão feliz de estar aqui novamente. Vocês me tratam como se eu estivesse em casa”, disse Queen B (apelido dado pelos fãs) após cantar If I Were a Boy, tendo como resposta gritos desesperados e elogios que elevariam o ego de qualquer mortal.

Por falar em rainha, este título ela tomou para si e faz questão de deixar evidente nos vídeos que entrelaçam os atos da turnê The Mrs. Carter Show – que presta uma homenagem ao nome do marido, o rapper Jay-Z (Shawn Carter). Fãs de outras divas das FMs podem até protestar, mas fato é que na hora do “vamos ver” são poucas as que imprimem no palco todo o potencial dos CDs e seus clipes. Beyoncé corre, dança, desce até o chão em movimentos sinuosos sempre com o sorriso no rosto e sem ofegar. Talvez Shakira seja a única que consiga algo parecido.

O show é arrebatador e torna difícil encontrar defeitos. Talvez o excesso de troca de roupas – foram dez no total – seja o único inconveniente, já que por diversas vezes o palco teve que ser preenchido por dançarinos para suprir sua ausência. Mas nada que atrapalhasse a diversão.

Neste teatro, que exala feminilidade, somente dois homens incrementam o show. Os dançarinos, apresentados como “the twins”, são os únicos credenciados para o palco e alternam em acrobacias por momentos pontuais. Até a banda é formada somente por mulheres. Vale frisar o ótimo desempenho do trio The Mamas, responsável pelo backing vocal de Beyoncé nesta turnê.

No setlist, as farofas (termo utilizado pelos fãs de pop) conhecidas foram as responsáveis pelos momentos explosivos dos 50 mil presentes no Estádio, como Run The World (Girls), End of Time, Get Me Bodied, Crazy in Love e Single Ladies, que fez até mesmo as comprometidas tentarem copiar os movimentos hipnóticos da cantora. Destaque para a performance de Love on Top, interpretada tal como na versão de estúdio, saindo do grave para o agudo com uma naturalidade invejável. Na plateia, houve quem suspeitasse de playback, mas a jugular inflamada, exposta no telão, não evidenciou tal suspeita.

Um pequeno inconveniente, provocado por um fã acalorado, não alterou o sorriso de Beyoncé. Enquanto cantava Irreplaceable, sentou-se no palco e esticou a mão para tocar o público. Foi quando um rapaz resolveu puxá-la, fazendo-a se desequilibrar e cair, mas logo socorrida pelos seguranças.

Quem estava em volta iniciou uma onda de vaias ao empolgado e a cantora interrompeu o show para dizer que estava tudo bem. Ainda se ajoelhou, perguntou o nome do garoto e encerrou o caso com um “eu te amo”. Completaram o repertório suas conhecidas baladas românticas (Party, 1+1 e Halo) e curtas performances de clássicos, como I Will Always Love You (Whitney Houston) e Bittersweet Simphony (The Verve), entoadas com olhares marcantes, como se estivesse pedindo a atenção apaixonada dos fãs. Fato que se deu naturalmente ao longo de toda a noite.