ilustra andré balança 2016

Arte: André Bonani

Finalmente, acabou.

O fatídico (?) famigerado (?) único (?) catastrófico (?) apocalíptico (?) especial (?) 2016 finalmente acabou.

Realmente, não sei que palavra usar. Esse ano foi de tudo um pouco. Talvez igual a tudo na vida? Talvez igual a todos os outros? Acho que não. Esse foi mais…intenso! Intenso é uma boa palavra, acho.

Trilha sugerida:

 

É realmente um desafio escrever sobre 2016. Me arrependo amargamente de ter me proposto a fazer um balanço do que foram esses 12 meses. Mas agora o nosso amigo ilustrador André já mandou a arte. Não dá pra fugir do tema. É, não deu pra fugir mesmo de 2016.

Não vou falar de política, afinal, né? Foi o ano em que fazer qualquer análise tornou-se fazer guerra. Economia eu nem entendo nada, mas sei que tá todo mundo sem grana e  que“os meus amigos todos estão procurando emprego”. Curioso que  essa música “Teatro dos Vampiros” foi lançada durante a era Collor. Eu não lembro bem como foi aquilo. Era criança. Sei que foi um período difícil, tenho recordações das conversas dos adultos bem pessimistas. Suspeito que agora esteja pior. Define bem, “a cada hora que passa envelhecemos dez semanas.”

E além dos absurdos indizíveis na política, economia, a perda de direitos, o massacre na saúde e educação, a corrupção, etc e tal. Além de tudo isso, rolaram várias tragédias. Morreu muita gente querida. Atentados e catástrofes. É, teve tudo isso.

Mas olha, amorinha, teve também nosso primeiro show de rock. Teve futebol na sala. Teve dançar ballet ao som de Nirvana. Teve muito pulo na cama. Beijo de esquimó e mão dada. Teve banho de mar. Teve você crescendo.  E isso é a coisa mais linda que já presenciei na vida. Ver você se tornando aos pouquinhos (e incrivelmente rápido) uma criança cheia de autonomia, vontades e chatices (muitas). Isso é lindo e especial demais.

E teve você me colocando pra dormir fazendo carinho na minha cabeça.

Sabe, me sinto egoísta de pensar em  tudo que na nossa vidinha particular foi bonito e comparar ao tamanho das cagadas que rolaram lá fora. É mesmo egoísta, mas é de onde tirei e sigo tirando força.

E é o que me faz desejar um 2017 mais você, minha pequena.

Mais amor.

Ps, e se em 2016 um monte de artista foda morreu, foi também o ano em que vários  lançaram coisas incríveis. Tipo essa banda aqui, Carne Doce, que conheci tarde (já em 2017) e usei de trilha nessa crônica.

Seguimos.