O mesmo conselho vale para os grupos de amigos e de pais do colégio no aplicativo; isso vai evitar dor de cabeça e estresse desnecessários

 

Tenho ouvido muitos relatos de pessoas que têm tido altas discussões sobre política nos grupos de família no WhatsApp. E, em muitos casos, no calor do bate-boca, elas saíram desses grupos e atualmente mal falam com seus desafetos na vida real.

Por sorte, não passei por essa experiência nos meus grupos de família nem de amigos no aplicativo. O mesmo não posso dizer do grupo de pais do colégio de minha filha, um ambiente, a priori, para trocarmos informações e dúvidas, mas que, muitas vezes, tem se tornado campo panfletário de pessoas que não se dão conta que outras ali pensam de forma diferente da delas e que não querem ver esse tipo de conteúdo no aplicativo de mensagens.

Mas, voltando ao grupo de famílias no WhatsApp, uma coisa precisa ser dita: se faz urgente repensar as normas de conduta na vida digital. E, definitivamente, uma dica de ouro é não entrar em debates políticos por textos redigidos de forma, digamos, passional ou longos áudios, na vã tentativa de impor a algum parente que nitidamente pensa diferente de você o seu candidato a presidente, governador, ou a outro cargo.

Se no olho no olho essa luta é praticamente inglória, imagina dessa maneira?

Outra coisa importante que, infelizmente, a vida digital nos tirou quando digitamos textos para nosso interlocutor: não há a entonação da voz da pessoa naquele amontoado de palavras. Então, às vezes, um texto que se propõe apenas informativo, por exemplo, pode soar como uma forma ríspida de se falar. E aí que o caldo engrossa mesmo.

O Família Plural debateu justamente esse assunto no evento Custo Emocional na Era Digital, realizado na quinta-feira passada, dia 27, realizado no Inovabra Habitat, em São Paulo, do qual participamos com a palestra Do Match no app aos diálogos digitados. O evento, como um todo, trouxe painéis de vários palestrantes que trataram do tema sob diversos aspectos – mas todos ligados a essa nossa nova realidade em tempos digitais, e o que ganhamos e perdemos com ela.

Nos diálogos digitados, como acontece no WhatsApp, ganhamos na agilidade de comunicação, mas perdemos na maneira como somos compreendidos por quem está recebendo nossa mensagem. Podemos soar ríspidos ou complacentes demais, porque, como já foi dito, não há entonação da voz, tampouco o gestual e muito menos a expressão facial. Só há o texto ali, direto e reto.

Portanto, às vésperas das eleições, vamos deixar esses debates fora dos grupos de família no WhatsApp, que têm a nobre função de unir seus integrantes, sobretudo quem tem entes morando em outros Estados e mesmo em outros países. Encare-os como um ambiente para se saber se o outro está bem, mandar saudações de aniversários, Natal, ano novo e outras datas especiais, lembrar daquele almoço que ficou marcado para o domingo ou mesmo compartilhar fotos de viagens, festas e afins.

O mesmo, claro, vale para seus grupos de amigos do trabalho, do colégio, da faculdade no aplicativo. E vocês, pais nos grupos dos colégios? Vamos falar de trabalho escolar, das dúvidas sobre lição de casa ou provas, organizar a compra coletiva de um presente para o professor, entre outras coisas ligadas ao universo escolar. E nada além.

Isso vai evitar dor de cabeça e estresse desnecessários. Afinal, se está difícil se falar de política cara a cara, imagine em ambientes digitais!