Outros 4 casais homoafetivos também vão oficializar a união neste domingo, 23; todos vão ganhar festa durante a Parada

Em 2017, o auxiliar administrativo Claudio Ferreira encontrou o perfil de Davysson Jordan, também auxiliar administrativo, num aplicativo de relacionamento. Um curtiu o perfil do outro. E deu match. Na mesma semana, a paquera virtual passou para o primeiro encontro ao vivo e em cores. Pessoalmente, a conexão foi imediata. “Um mês depois já estávamos morando juntos”, conta Claudio, de 24 anos, ao blog. Passado 1 ano e 8 meses, Claudio e Davysson vão dar outro passo importante na relação: vão oficializar a união num casamento coletivo, realizado neste domingo, 23, na 23.ª edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, ao lado de outros quatro casais homoafetivos. 

Claudio e Davysson: um dos casais que vai oficializar sua união na Parada. Foto: Arquivo pessoal

A celebração acontecerá em duas etapas. A cerimônia será realizada antes da Parada ter início, às 8h, em um cartório #popup montado na unidade da WeWork, na Avenida Paulista, perante um Juiz de Honra do 34.º Cartório de Registro Civil da Cerqueira César. Depois, a festa continua em cima do trio elétrico Família, onde os casais vão compartilhar essa etapa de suas vidas com uma multidão – segundo a organização da Parada, são esperadas 3 milhões de pessoas no evento.

O casamento coletivo foi uma ação idealizada e desenvolvida pelas startups Popspaces e The Next H. A proposta de promover a oficialização gratuita da união de cinco casais é reforçar o direito do registro de casamentos homoafetivos em cartórios, publicado em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Claudio conta que ele e Davysson, que tem 22 anos, já falavam sobre casamento há tempos. O pedido foi feito por Claudio em agosto do ano passado. “Fiz durante a Bienal do Livro de São Paulo”, conta. A ocasião era perfeita. Fã do youtuber Erick Mafra, que estava lançando livro na época, Davysson foi com o namorado à sessão de autógrafos que o autor estava realizando no evento literário. Livros devidamente autografados, e então, Claudio fez o pedido. “Queria fazer de uma maneira especial”, diz ele.

O casamento estava planejado para 2020. Até que, por acaso, Claudio viu no Facebook a ação do casamento coletivo na Parada, em maio. Os participantes precisavam mandar suas histórias de amor. As melhores seriam selecionadas. Claudio e Davysson enviaram o texto. E foram um dos selecionados. “Quando ligaram para avisar, fiquei em choque”, lembra Claudio.

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Noivado na Bienal: momento do pedido de Claudio a Davysson. Foto: Arquivo pessoal

 

Este domingo será o grande dia para os dois – assim como para os outros casais. Eles estarão cercados de amigos e parentes, mas, como nem todos conseguirão ir ao evento – a família de Davysson mora em Alagoas -, o casal vai organizar uma nova celebração para julho ou agosto.

Vale lembrar que os direitos garantidos pelo casamento civil são os mesmos para todos os casais, sejam eles héteros ou homossexuais. Entre eles, usar o fundo de garantia para comprar um imóvel juntos ou compartilhar o plano de saúde. Em caso de separação ou de falecimento de um dos cônjuges, o outro tem plenos direitos sobre a herança ou a divisão de bens no caso de separação. Isso para citar alguns exemplos.

Mas, para Claudio, o casamento para eles, nesse primeiro momento, é para celebrar o amor. “A gente quer mostrar que a gente se ama”, diz. “Somos ainda muito jovens. Agora é que vamos construir uma vida, pensar em adotar filhos.”