Reality show chega ao fim nesta terça, 4, com Camilla de Lucas e Fiuk também entre os finalistas

 

Várias teorias tentam explicar o fenômeno Juliette Freire no BBB21, que chega ao fim nesta terça-feira, 4, na Globo – ela disputa o prêmio de R$ 1,5 milhão com Camilla de Lucas e Fiuk. Mas uma coisa é certa: a paraibana já conquistou um sucesso sem precedentes em 21 anos de história do reality show no País. Nem queridinhos de edições passadas, como Grazi Massafera, Sabrina Sato ou mesmo Manu Gavassi, conseguiram tal feito. Dona de um ‘fandom’ de deixar até estrelas internacionais comendo poeira – só no Instagram, são mais de 23 milhões de seguidores conquistados apenas em três meses –, Juliette é a grande favorita a ganhar esta edição do BBB.

Juliette, uma das finalistas do ‘BBB21’. Foto: Instagram/@juliette.freire

Voltando ao tema ‘possíveis teses para o grande sucesso da advogada e maquiadora no reality’, podemos começar falando de sua representatividade. Sim, o que ela representa para diferentes públicos. É mulher, nordestina, batalhadora, independente, tem uma trajetória marcada por superações e perdas (e há quem use isso para apontar um hipotético ‘vitimismo’). Como nordestina, é conhecedora – e propagadora – da cultura regional. Ela canta a música do Nordeste, valoriza as tradições nordestinas e, não raro, compartilhava tudo isso com seus companheiros de casa – e por tabela, com o espectador. Só aí ela já conquistou o coração de toda uma nação nordestina. E isso não é pouco.

Mas quando se fala em Juliette, precisamos falar também sobre identificação. E quando entra em jogo esse quesito, fica difícil usar argumentos que desqualifiquem a imagem de uma pessoa na qual, de alguma forma, nos sentimos projetadas. Lembro de uma entrevista recente que fiz com o ator e humorista Leandro Hassum, em que ele falava sobre sua predileção pelo ‘humor de identificação’, em criar situações e personagens com os quais o público se reconhecesse.

E a identificação é um grande trunfo de Juliette, algo que foi entregue a ela de bandeja por seus adversários no jogo. Como assim seus adversários contribuíram para isso? Vamos lá. Falando sob meu ponto de vista, quando tentam silenciar uma mulher – como tentaram fazer isso com Juliette diversas vezes –, eu imediatamente vou me identificar. Quando um homem levantava a voz para Juliette, mas não tratava um outro homem com o mesmo tom agressivo, eu sabia exatamente como ela estava se sentindo. E me solidarizava com ela.

Mas a dor dela no reality que mais me bateu forte foi a da exclusão – algo que outro participante, Lucas Penteado, também enfrentou no início do programa em níveis até mais humilhantes. Não se sentir aceito em grupo e, pior ainda, ser alvo de piadas é de uma crueldade sem tamanho. E muita gente certamente já passou por isso em algum momento de sua vida, ou testemunhou alguém passando.

Esse momento de exclusão de Juliette no jogo me remeteu a uma memória antiga escondida na minha mente, de quando eu era adolescente. No colégio, em determinado momento, tive de estudar em uma classe em que eu não conhecia ninguém. Tentei me aproximar, ser aceita, ser compreendida, mas ninguém estava interessado em me acolher, em me ouvir. E, não raro, eu era alvo de indiferença, piadinhas e certamente de maledicências faladas pelas minhas costas.

Foi um dos períodos mais difíceis da minha vida. E ver Juliette (e mesmo Lucas, por motivos diferentes) passando por isso me acionou um gatilho. Aliás, esse foi o BBB dos gatilhos acionados, tanto dentro da casa quanto aqui fora.

Para outras pessoas, pode haver outros pontos de identificação com a participante. Como, por exemplo, a que Ingrid Guimarães compartilhou na segunda-feira, 3, no programa Encontro com Fátima Bernardes. “Eu me identifico absolutamente (com Juliette) desde o primeiro dia. É aquela pessoa que é um pouco confusa em algumas horas, fala na hora errada, mas ao mesmo tempo é coração, ao mesmo tempo ajuda todo mundo, ao mesmo tempo é meio confusa, se perde, ela volta. Ela é real. Ela é a mulher que todo mundo é. É aquela mulher que pode ser nossa amiga, nossa prima, nossa vizinha, cheio de defeitos e qualidades. E apaixonada, e canta e chora. Acho ela uma menina muito especial”, disse a atriz.

Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, e Camilla de Lucas foram também símbolos de identificação e representatividade para outros públicos. Por isso, chegaram tão longe no programa. Indo muito além do entretenimento, o economista Gil, que é gay, se libertou diante de uma audiência nacional. E sim, ele merecia estar na final. Mulher negra, a influencer Camilla entrou na casa sabendo que teria de debater temas como o racismo se isso fosse necessário (e foi), mas queria expor sua força por trás do sucesso no ambiente digital e, claro, servir de inspiração. Mas nada foi parecido com o fenômeno Juliette.