É de praxe nos últimos dias do ano avaliarmos quem realmente é importante em nossas vidas. Mas, num ano marcado pela pandemia como foi 2020, de tantas mortes, de tantas dores, essa reflexão acaba se tornando ainda mais profunda. É inevitável. Pensamos nas pessoas amadas que perdemos para a covid-19, também naquelas que permanecem conosco nessa jornada…

E a pergunta que me veio à cabeça foi: quem eu levarei comigo para 2021? Não é mais simplesmente fazer uma ‘limpeza’ nas minhas redes sociais, mas saber distinguir quem está ao meu lado de verdade, mesmo a distância, e quem se comporta de forma indiferente ou mesmo tóxica. Depois de um ano tão devastador, percebi que não cabe mais lidar com pessoas que não somam nada de bom e subtraem meu sossego, minha paz.

Não estou falando aqui em eliminar da minha vida pessoas que, por algum motivo, não mantiveram contato constante comigo ao longo deste ano. Vi muita gente afirmando que só levará para o pós-pandemia aqueles que estiveram por perto durante este período. Pessoalmente, não concordo. Cada um reage a este momento difícil de maneiras diferentes: uns querem se fazer presentes sempre, enquanto outros preferem ficar mais quietos, resguardados. É preciso respeitar a forma de reagir de cada um e entender seu tempo pras coisas.

Para 2021, levo as melhores pessoas. Foto: Sasin Tipchai por Pixabay

Nunca vou ‘cancelar’ amigos ou familiares que sempre me deram amor, carinho, atenção, mas que, por alguma razão, não estiveram tão próximos de mim nos últimos tempos quanto eu gostaria. Sei que, se eu precisar, eles estarão lá, prontos para me acolher. No entanto, vale a pena manter no radar pessoas supostamente presentes que nunca têm tempo quando você precisa de um conselho ou de um ouvido amigo, mas que querem você sempre à disposição quando são elas que precisam de amparo; ou te trazem mais problemas do que alegrias; ou que te põem pra baixo, tiram sua energia? Eu acho que não.

Essas são figuras que eu costumava manter na minha vida, porque ficavam ali, diluídas no meio de uma rotina frenética, corrida. No entanto, durante a quarentena, com mais tempo para prestar atenção nos detalhes, nas nuances, essas atitudes ficaram latentes, insuportáveis. Não há tempo (e paciência) a perder com pessoas que não acolhem, que não dialogam, que não são íntegras, que tiram o sossego. Para mim, elas vão ficar em 2020.

Para 2021, levo as melhores pessoas que estão na minha vida – e abro espaço para outras novas. E você, quem levará para 2021?

Um ano novo mais leve e esperançoso para nós, cercados pelas melhores companhias. Merecemos!