O Família Plural foi saber qual o segredo para manter unidos filhos nascidos em diferentes relacionamentos

Eles são filhos de diferentes relacionamentos, mas irmãos de sangue por parte de pai ou de mãe. São os chamados meios-irmãos. Mas, nas histórias apuradas pelo Blog,  eles se consideram irmãos por inteiro.

Na família do jovem Rodrigo Spindola, de 19 anos, o sentido de união e compartilhamento foi estimulado desde cedo.  O pai Aloysio teve dois filhos com Elaine em seu primeiro casamento, Lucas e Leandro. Quando eles ainda eram bem pequenos, os dois se separaram, e Aloysio conheceu Solange, com quem se casou e teve Rodrigo.

Segundo ele, o pai sempre tratou todos de forma igual, sem privilegiá-lo por morarem juntos. Quando Lucas e Leandro eram pequenos, sempre iam passar os fins de semana na casa do pai. “Meus pais são muito integradores. Quando meu pai não podia buscá-los, minha mãe ia. Não há uma separação entre a família dos meus irmãos e minha família. Pra gente, é uma coisa só”, explica o jovem.

Aloysio (ao fundo) e os filhos Rodrigo (esq.), Leandro (meio) e Lucas (dir.)

Aloysio (ao fundo) e os filhos Rodrigo (esq.), Leandro (meio) e Lucas (dir.)

Rodrigo diz que, mesmo encontrando os irmãos somente aos fins de semana, sempre vivenciou as mesmas coisas de irmãos que convivem juntos: discutiam, brigavam, mas também eram muito amigos e confidentes. “Tenho mais pontos bons para lembrar do que ruins.”

Lucas, Leandro e Rodrigo estudaram no mesmo colégio e, conforme foram crescendo, tornaram-se cada vez mais próximos.

Um certo dia, Leandro, seu irmão do meio, decidiu ir morar com o pai. Conseguiu um emprego que era mais próximo à residência dele e foi. Nessa época, Leandro tinha 22 anos e Rodrigo, 15. “Na maior parte do tempo, me sentia como filho único e a vinda do Leandro foi muito positiva, foi uma boa companhia. Era como um irmão que sempre tive, mas que não era tão presente e passou a ser.”

Na mesma época, o irmão mais velho estava em um relacionamento sério e decidiu se casar. Os dois outros irmãos passaram a vê-lo com menos frequência, principalmente depois que ele foi viver nos Estados Unidos, mas sempre que ele vem ao Brasil se encontram.

Da esquerda para a direita: Lucas, Leandro, o pai Aloysio, a atual esposa, Solange, e Rodrigo à frente

Da esquerda para a direita: Lucas, Leandro, o pai Aloysio, a atual esposa, Solange, e Rodrigo à frente

Rodrigo explica que ele e Leandro sempre tiverem interesses em comum e o mesmo círculo de amizades. “Somos confidentes. Debatemos diversos assuntos e alguns deles não falo para outras pessoas, apenas para ele. Principalmente questão de namoro, relacionamento. Quando fiquei em dúvida sobre o curso que fazia na faculdade, a primeira pessoa para quem contei que estava pensando em mudar de caminho foi para ele.”

No ano passado, Leandro passou seis meses no Canadá estudando. Na volta, decidiu que teria duas casas: fica parte do tempo na casa da mãe e outra na casa do pai. “Agora, ele fica a maior parte do tempo com a mãe, mas tem o quarto dele aqui em casa e compartilhamos tudo, até roupas, pois a maior parte de suas coisas fica na casa da Elaine”.

Para Rodrigo, a expressão meio-irmão não faz muito sentido. “Nunca senti que tinha meios-irmãos, mas que sempre tive irmãos por inteiro”.

O trio: Marina, Veridiana e João. Crédito: Luiz Prado

O trio: Marina, Veridiana e João. Crédito da foto: Luiz Prado

Os irmãos Marina da Silva Prado, 32 anos, João Antonio Rabello da Silva Prado, de 14, e Veridiana Rabello da Silva Prado, de 9, também se sentem irmãos por inteiros. Eles são filhos do mesmo pai, o fotógrafo Luiz Prado, mas de mães diferentes. Marina é filha de um casamento anterior de Luiz, e Veridiana e João, de outro mais recente. “A relação entre eles sempre foi muito boa. A Marina sempre adorou os irmãos, sempre se deram superbem”, conta a jornalista Tânia Rabello, mãe de João e Veridiana.

João confirma o bom relacionamento deles: “Na teoria, ela é meia-irmã, mas, na prática, é irmã mesmo. O problema é que agora ela mora na Austrália, mas, quando ela vem pra cá, é uma segunda mãe, porque, quando minha mãe não está em casa, ela fica em casa o dia inteiro. Cuida da gente”. Veridiana concorda. “A Marina não é tão meia-irmã assim, porque ela é filha do mesmo pai, do nosso pai, aí eu conto ela como irmã de verdade. Eu gosto dela. E da Juma e Serena também.”

Juma, de 2 anos, e Serena, de 4 meses são filhas de Marina e sobrinhas de João e Veri. Além disso, João é também padrinho de Juma. “Quando a gente foi visitar eles no Brasil, a Juma era nenezinha. Foi lindo ver o João vestindo a camisa de titio mesmo: deu comidinha, cuidou dela, muito fofo”, lembra, com carinho, Marina.

Os irmãos reunidos com a fofa Juma sobre a mesa. Crédito da foto: Luiz Prado

Os irmãos reunidos com a fofa Juma sobre a mesa. Crédito da foto: Luiz Prado

Marina foi filha única até os 18 anos, quando João nasceu. Como foi a reação dela na época? “Na verdade, acho que eu estava numa fase muito egoísta da minha vida. Achei muito legal ter irmãozinho, mas, ao mesmo tempo, fiquei meio assustada, achei que era loucura do meu pai, que sempre reclamava de dinheiro. Acho que não consegui ver a beleza da chegada desse neném. Mas logo depois que ele nasceu, me conectei bastante com ele, sempre amei ele de paixão.”

Mesmo quando Marina morava em Campinas, com a mãe, e os irmãos viviam em São Paulo, eles sempre davam um jeito de se ver. Marina chegou a viver um ano com o pai em São Paulo e, durante esse período, convivia diariamente com eles. “Foi bem legal, porque eu ia buscar o João na escola, brincava com ele à tarde. Acho que foi uma época fundamental para essa nossa relação. Sempre gostei muito de vê-lo e de acompanhá-lo”, afirma ela.

Há 5 anos, a distância, digamos, geográfica entre eles aumentou. Marina se mudou para a Austrália, para viver com o marido sul-africano que cresceu lá. Ali nasceram também as duas filhas do casal. E, apesar de estarem mais longe, os irmãos continuam próximos com ajuda de Skype, WhatsApp e redes sociais. “Morro de saudade deles, mas a gente volta e meia se fala. Meu pai e a Tânia estão sempre me contando o que está acontecendo na vida deles, então me sinto bem próxima”, diz Marina. A família no Brasil já conhece Juma pessoalmente. Agora é a vez de Serena. “No ano que vem, vamos para o Brasil apresentar a Serena para estreitar nossos laços familiares.”

Texto de Adriana Del Ré e Claudia Pereira

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