A cantora e compositora de 26 anos, que morreu nesta sexta, 5, em um acidente aéreo, era mãe de Leo, de apenas 1 ano e 10 meses

Marília Mendonça. Foto: Reprodução/Redes sociais

Marília Mendonça foi uma das grandes vozes da sua geração no sertanejo. Foi a patroa, a rainha da sofrência, a mulher empoderada, a arrebatadora de multidões. Mas, para muita além dessas justas definições, a cantora e compositora de 26 anos era uma mãe. Uma jovem mãe do pequeno Leo, de apenas 1 ano e 10 meses, fruto de seu relacionamento com Murilo Huff. A morte trágica e precoce de Marília me fez pensar na mulher, na filha, na artista que partiu no auge da carreira, com uma vida inteira pela frente, mas, acima de tudo, na mãe que não vai ver seu filho crescer e no filho que não vai crescer ao lado da mãe. E essa ideia é dilacerante.

Após a confirmação da morte de Marília Mendonça no acidente aéreo, nesta sexta-feira, 5, em Minas, a deputada Marília Arraes postou a seguinte frase: “Depois que a gente se torna mãe, normalmente nossos maiores medos passam a ser dois: perder um filho, ou deixar os filhos pequenos sem mãe”.

Esse pensamento me fez recordar de um texto que escrevi em 2017 no blog justamente sobre esse tema: o medo que nós, mães, temos de morrer e deixar nossos filhos órfãos da presença materna em suas vidas, sobretudo quando eles são pequenos ou ainda em fase de desenvolvimento.

Sob o título ‘Quando nos tornamos mães, queremos ser imortais’, faço um desabafo justamente sobre a noção de mortalidade que o nascimento da minha filha, hoje com 13 anos, me despertou. Como eu escrevi na época, até o nascimento dela, eu nunca tinha parado para pensar nisso de fato.

Reproduzo a seguir um trecho desse meu texto publicado há 4 anos e que reflete exatamente o que sinto agora:

“Pensei nas muitas mães que não puderam ver seus filhos crescerem, seja porque elas partiram deste mundo precocemente, seja porque elas perderam um filho precocemente. Para quem fica na Terra, restam a dor, o luto e o sentimento de que um sonho nunca será realizado. Fica o vazio das conquistas que não poderão ser celebradas juntas; das derrotas que não serão superadas lado a lado; das lágrimas e dos sorrisos que não poderão ser mais compartilhados. Fica a dúvida do que aconteceria se aquela rotina fosse uma soma e não uma subtração.”

Neste momento, penso nas mães mortas de forma trágica; nas que partiram vítimas de doenças, como a covid-19. Penso em Marília Mendonça.