A designer Thaiz Leão, de 27 anos, fala ao blog sobre seu projeto, que vai virar também site e livro
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A designer Thaiz Leão teve o filho Vicente aos 24 anos. Mãe solo, ela ficava em casa para cuidar de seu então recém-nascido bebê – e sentia-se sozinha, meio perdida com a nova condição. Percebeu que a maternidade não era só mil maravilhas. Certa noite, Thaiz teve um estalo: decidiu abrir o computador e começou a desenhar as primeiras tirinhas sobre situações do dia a dia pelas quais passava como mãe, como tomar banho e ficar com o choro na cabeça ou não conseguir tempo para lavar o cabelo. Lançou um olhar sobre o lado real da maternidade de uma forma leve, bem-humorada, com traços simples e divertidos.

Colocou seus desenhos, em princípio, na timeline do seu Facebook pessoal – que começaram a ganhar muitas curtidas e compartilhamentos, sobretudo de pessoas desconhecidas, que não faziam parte de seu grupo de amigos. “Teve uma menina que falou: ‘eu vim pra cá pra curtir achando que era uma página, um projeto; aí, eu vi que era seu perfil, por favor, continua’”, lembra Thaiz, hoje aos 27 anos, em entrevista para o blog.

Ela diz ter pensado bem antes de estrear a página Mãe Solo no Facebook. “Sempre desenhei, mas nunca me levei muito a sério – pra galera em geral, o trabalho é ok, só que eu vim de um meio em que as pessoas ilustram pra caramba, desenham pra caramba. Então, tenho os dois lados: tenho aquela despretensão que é transmitir o conteúdo com qualidade e o desenho que faço pra ele é o justo, porque é amigável, é aquela coisa tosca, mas reflete a minha falta de tempo, e tem um design também por trás.”

Hoje, com mais de 60 mil curtidas no Facebook e quase 1500 seguidores no Instagram, Mãe Solo dará origem também a site e livro, com a ajuda de uma bem-sucedida vaquinha virtual. Os dois derivados do projeto devem ser lançados até o final deste mês, prevê Thaiz. “No site, quero escrever textos, que as tirinhas fiquem mais sequenciadas, e penso fazer vídeos mais pra frente”, planeja.

A designer Thaiz Leão. Crédito da foto: Gabi Trevisan

A designer Thaiz Leão. Crédito da foto: Gabi Trevisan

O poder do humor. Enquanto o site não chega, a designer continua a usar as redes sociais do projeto como seu principal canal de diálogo com outras mães e simpatizantes de seu trabalho. “A maior parte do conteúdo da Mãe Solo está nos comentários: a coisa mais rica que tem no projeto são os comentários dos posts, porque é lá que a galera dá o retorno. Não me preocupo muito com curtidas, se vai viralizar, desde que alguém fale ‘salvou meu dia’.”

Aliás, Thaiz conta que há muitas tirinhas inspiradas também em relatos de outras mães. E seu objetivo sempre foi criar um conteúdo que acolha não só mães que estão sozinhas, mas todas elas, sem distinção nem militância. “A maioria dos seguidores – 95% são mulheres – não está sem marido, parceiro ou parceira: está com alguém e passa pelas mesmas coisas.”

Sobre se foi criticada por mostrar o lado nem sempre perfeito da maternidade, Thaiz conta que, em geral, a reação é positiva desde que estreou o projeto, em 2014. E, certamente, o humor contribui para isso, diferentemente de que poderia acontecer com um textão, por exemplo – e já vimos isso acontecer. Ela concorda. “Acho que humor é uma das formas mais eficazes na mediação de trabalhar conteúdos que são difíceis. O bom-humor transforma as pessoas, o humor de qualidade transforma o interior das pessoas, lida com o ego”, analisa. “Sempre fui cuidadosa com meu conteúdo para não afastar ninguém, eu queria que tudo mundo se aproximasse. Tenho diretrizes que movimentam o projeto e acabou se criando esse ambiente que é fértil.”

Veja outras tirinhas da Mãe Solo:

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