O casal Daiane e André vende guloseimas no metrô em SP para arrecadar dinheiro para fazer cerimônia do casamento em 2018

Esse simpático casal abaixo não está fantasiado para o carnaval. Nada disso! Encontrei André de Araújo Santos, de 24 anos, e Daiane Meireles de Oliveira, de 26, por acaso, na saída de uma estação de metrô de São Paulo. André segurava um cartaz como uma forma de dividir com quem estava passando o desejo do casal – e o motivo de estarem ali: “Nos ajude a casar!!! Trufas 3,00”. Ao seu lado, Daiane, com uma tiara de noiva na cabeça, carregava a cesta com as guloseimas que ela mesma preparou.

Passei meio apressada por eles e quase estava saindo da estação. Mas, como num estalo, voltei para ouvir a história daqueles dois jovens que pediam ajuda para poder se casar, como já adiantava o cartaz de André. Meu compromisso poderia esperar. Afinal, estamos cada vez com menos tempo – e menos preocupados – em ouvir a história das pessoas, ali, olho no olho. Uma pena…

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Comprei uma trufa tradicional, só de chocolate – havia outras opções, com outros recheios. Muito gostoso, aliás. Aproveitei para perguntar se os dois topariam conversar comigo para uma matéria para o blog. André e Daiane, sorridentes, aceitaram compartilhar o sonho deles.

Os dois são formados em Engenharia Elétrica, mas, assim como outros milhões de brasileiros, não conseguem emprego. André tem pós-graduação em Segurança do Trabalho e está estudando para prestar concursos públicos. Daiane está no penúltimo semestre da faculdade de Tecnólogo em Automação. Eles contam que já fizeram estágio. “Muitas empresas não contam isso como experiência”, lamenta Daiane. E, sem trabalho, não conseguem dinheiro para a tão sonhada cerimônia de casamento.

Até que Daiane fez um curso de trufas e teve a ideia de vendê-las para juntar dinheiro e realizar o casamento, que eles planejam para o final de 2018. As vendas vão bem. Eles pretendem juntar R$ 20 mil durante este ano, para que, no ano que vem, consigam dar início aos preparativos. Eles contam que, em um mês, conseguiram juntar R$ 1,5 mil – o valor arrecadado nas vendas vai direto para a poupança.

O casal trabalha nas vendas das trufas às segundas, quartas e sextas, de manhã, e às terças e quintas, à tarde. Daiane leva todo dia 40 trufas, pensando que vão vender, em média, 30 por dia. Ela leva também alguns bombons pequenos, que são vendidos bem baratinho, mas que, às vezes, ela dá para quem está com fome e não tem como pagar. Os ingredientes, Daiane compra com o dinheiro que consegue com os bicos que faz, aos fins de semana, na pizzaria de um primo.

Enquanto eu conversava com o casal, algumas pessoas, sensibilizadas com a motivação deles, paravam para comprar as trufas, para contribuir de alguma forma com o sonho dos dois. Mas, conta Daiane, há quem tente demovê-los de seu projeto. “Pra que casar?”, eles já ouviram.

Daiane e André moram com os pais. Ele, em Santana, na zona norte da capital. Ela, em Guaianazes, na zona leste. “Nossos pais dão superapoio para a gente”, garantem. Os dois se conheceram na faculdade. Primeiro, foram amigos. “A gente fazia tudo junto: trabalhos (da faculdade), cinema…”, lembra André. Depois que se formaram, em 2014, Daiane passou 5 meses fora do Brasil, estudando no Canadá e nos EUA. “Antes de viajar, a gente ficou”, conta Daiane. “Senti muita falta, falava mais com ele do que com meus pais.” André também sentiu saudade. “Depois que ela viajou, ficou diferente a nossa vida”, diz ele. Quando ela voltou, André a pediu em namoro. E não se largaram mais.

E quando eles decidiram se casar? Daiane conta que sempre quis ir a Expo Noivas & Festas, em São Paulo. Com menos de um ano de namoro, em 2015, ela convidou André para ir com ela ao evento. “Ele ficou assustado, mas depois gostou da ideia”, conta Daiane, que tem o desejo de se casar antes dos 30 anos, para poder aproveitar a vida em casal durante dois ou três anos e, depois, planejar filhos.

Anotei a entrevista com o casal, de improviso, nas folhas de caderno que Daiane me emprestou. Percebi, no final da conversa, que havia algo escrito em uma das folhas. Daiane disse que eram só rascunhos. Dias depois, vendo esses rascunhos com mais atenção, percebi que eram esboços de escritos endereçados a André. Na verdade, declarações de amor. “Com você, me sinto viva, mulher, valorizada e que posso ser feliz ainda… Te adoro, meu amor!!!”, escreveu ela, em um trecho.

Ao comprar uma trufa, tive a sensação de estar ajudando, mesmo que com um pedacinho, a construir esse sonho. E que sensação boa é essa.

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