Promovido pelo Força Meninas, ‘Mude o Mundo como uma Menina’ reúne exemplos de protagonismo feminino e programação para toda a família

 

Nunca se ouviu falar tanto em violência contra as mulheres e na palavra feminicídio quanto nos últimos tempos.  Balanço recente feito pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH), que divulgou dados do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher – no período entre janeiro e julho de 2018, foram 27 feminicídios, 51 homicídios, 547 tentativas de feminicídios e 118 tentativas de homicídios. No mesmo período, os relatos de violência chegaram a 79.661, sendo os maiores números referentes à violência física (37.396) e violência psicológica (26.527).

Dos registros de violência contra a mulher, 63.116 foram classificados como violência doméstica e englobam cárcere privado, esporte sem assédio, homicídio, tráfico de pessoas, tráfico internacional de pessoas, tráfico interno de pessoas e as violências física, moral, obstétrica, patrimonial, psicológica e sexual.

Diante de um cenário tão desfavorável para o sexo feminino e com o objetivo de estimular que garotas entre 6 e 18 anos sejam protagonistas de suas jornadas é que, pelo terceiro ano consecutivo, o Projeto Força Meninas, plataforma educativa que promove atividades em grupo, preparara uma programação especial para celebrar o Dia Internacional da Menina, instituído pela Organização das Nações Unidas em 2011.

Foto: Pixabay

O Mude o Mundo como uma Menina ocorre hoje (20), das 13h às 17h, no auditório da Unibes Cultura, em São Paulo. É gratuito e conta com uma série de apresentações que refletem o protagonismo feminino, além de diversos espetáculos artísticos. As inscrições podem ser feitas pelo link: http://frmeninas.com.br/.

Há mais de cinco anos, o Força Meninas tem estudado e analisado fatores que limitam o potencial das meninas e, com base na pesquisa, foi criado o programa que desenvolve habilidades para que essas jovens enxerguem, compreendam e tenham confiança de que podem mudar o mundo e construir um futuro mais igualitário.

A programação contará com a participação da vice-cônsul do Canadá, Natalie Bedouin, que falará sobre os desafios enfrentados por mulheres diplomatas e a importância de conhecer outras realidades. Natalie já realizou missões no Haiti, África e agora está no Brasil. Bate-papo com a criadora do canal A Matemaníaca, Juliana Jaccoub, que realizou um intercâmbio por Mérito Acadêmico no Aalto University, na Finlândia, com a medalhista na Olimpíada Brasileira de Matemática – e também da edição argentina, Laura Franciulli, de 17 anos, que contará sobre o convite que recebeu da ONU para integrar a delegação brasileira na 21ª Assembleia da Juventude, nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano, haverá palestra sobre protagonismo da mulher negra, com a criadora de conteúdo e empresária Ana Paula Xongani, entre outros.

Foto: Pixabay

O Família Plural conversou com a jornalista Deborah De Mari, idealizadora do Força Meninas. Confira abaixo:

Família Plural – Nas últimas semanas, temos acompanhado pela imprensa o aumento no número de feminicídios. Como eventos como esse podem auxiliar na queda desses índices? Como mobilizar também os homens para essa causa?

Deborah De Mari – O femícidio, infelizmente, é uma violência de raízes profundas culturais e sociais. Acredito que eventos como o nosso têm a capacidade de despertar meninas para a importância de colocarem suas vozes, saberem diferenciar violência de amor, alcançarem seu potencial e, no futuro, fazerem parte de ambientes de decisão em que possam ser cruciais na elaboração e aprimoramento de leis que ajudem na atuação preventiva de crimes dessa espécie. Acreditamos que, para que ocorra uma mudança social e cultural, precisamos envolver meninos e meninas desde cedo para uma mudança de mentalidade e essa construção deve ser feita por muitas mãos: família, escola, sociedade e movimentos como o nosso. No curto prazo, acreditamos que o aumento da representatividade feminina na política auxilia na votação de projetos de lei que aumentem a eficácia de medidas que protejam mulheres e suas famílias, reeduquem e, se necessário, puna de maneira mais severa os agressores.

FP – Em sua opinião, a discussão de gênero desde a tenra infância, inclusive nas escolas, é importante? Por quê?

DDM – Todas as etapas de desenvolvimento das crianças devem ser respeitadas, conversar sobre gênero e sexualidade na pré-adolescência é uma maneira de ensinar respeito as diferenças e prevenir uma série de problemas derivados da desinformação. Acredito que toda a polêmica envolvida nesta discussão está relacionada a pouca disseminação de informações sérias e científicas sobre o tema. Ainda existe muita confusão entre gênero e sexualidade. Acredito que os veículos de comunicação, assim como as escolas, têm um papel importante de conscientização, primeiro dos pais, e depois as crianças. Apoiados por especialistas (médicos, psiquiatras e psicólogos), devem esclarecer a população porque ter esse conhecimento é importante para promovermos espaços de respeito a todos. Acredito que todos devemos ser a favor de uma sociedade brasileira mais tolerante e solidária. Conversar na escola e em casa sobre gênero é uma maneira efetiva de diminuirmos casos de bullying, homofobia e violência contra mulheres e meninas. Já no caso do ensino de sexualidade, pode prevenir doenças sexualmente transmissíveis, abusos e até gravidez precoce.

FP – Com que mensagem vocês esperam que os participantes saiam do Mude o Mundo como uma Menina?

DDM – Desejamos que as meninas saiam do evento com a compreensão de que não são apenas meninas. São agentes de mudança, cheias de potencial para construírem um futuro mais próspero, igualitário e solidário para o mundo.

SERVIÇO

Local: Unibes Cultural

Endereço: Rua Oscar Freire, 2500 – Sumaré– SP

Data: 20 de outubro

Horário: 13h às 17h

Inscrição pelo link: http://frmeninas.com.br/

O Dia da Menina tem o apoio do Consulado do Canadá e patrocínio máster da Uber e da P&G.

 

Comentários e sugestões de pauta devem ser encaminhados para os e-mails familiaplural@estadao.com e familiaplural@gmail.com

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