Hoje, 25, é o Dia Nacional da Adoção e, dentro da nossa série sobre o tema, contamos a história de Toni Reis e David Harrad, que adotaram Alyson e os irmãos Jéssica e Filipe

Hoje, 25 de maio, é o Dia Nacional da Adoção, e o blog quis contar a história de um casal homoafetivo, de Curitiba, que optou pela adoção tardia, chamada assim quando a criança a ser adotada tem mais de 3 anos de idade – e que nem sempre é a primeira opção para quem toma a decisão de adotar.

O professor Toni Reis, de 52 anos, e o tradutor David Harrad, de 58, estão juntos desde 1990 e têm três filhos adotivos, Alyson, de 16 anos, Jéssica, de 14, e Filipe, de 11. Mas esse não foi um processo fácil. Por volta do ano 2000, eles começaram a falar em adoção. Tinham em mente se tornar pais de um menino e uma menina, com cerca de 6 anos. A partir de 2005, no entanto, o casal enfrentou uma longa luta para conseguir realizar seu sonho, numa época em que a adoção de criança por casais homoafetivos ainda não era reconhecida – isso só veio a acontecer graças a uma decisão histórica da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2015, que reconheceu justamente o direito de David e Toni de adotar uma criança.

Mas, anos antes, em 5 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal já havia decidido por unanimidade que, para os efeitos da lei, a união estável entre casais homoafetivos tinha de ser considerada igual à união estável entre casais heterossexuais. Essa decisão tinha desdobramentos no campo da adoção também, lembra Toni.

O casal David e Toni com os filhos Filipe, Alyson e Jéssica. Foto: Diego Moreira

Foi então que o casal soube de Alyson, que morava numa abrigo no Rio e tinha 9 anos na época, acima da idade que eles tinham cogitado ali no começo. Em princípio, Alyson não queria ser adotado por eles, ao saber que o casal adotante em potencial era gay. Mas, com o tempo, aceitou conhecê-los. E eles se aproximaram cada vez mais a cada passeio juntos. “Ele é muito cheio de opiniões, e eu gosto de pessoas que têm opiniões, mesmo que eu não concorde. Claro que passamos por algumas dificuldades de adaptação, porque é incrível: quando você adota, você assume o papel de pai rapidinho. A gente sabe o que é certo e o que é errado e, para a criança, muitas vezes, o certo não é aquilo”, diz Toni, em entrevista ao blog.

E por que Alyson os rejeitou por serem gays? “Ele explicou que alguns abrigos pelos quais passou eram de pessoas fundamentalistas, ligadas a religiões. Daí, acabavam fazendo a cabeça dele. Hoje, ele é uma pessoa superquerida, superamável”, explica o professor.

Em 2014, Toni e David receberam um comunicado do serviço social da Vara do Rio sobre Jéssica, então com 10 anos, e lá foram eles e o filho Alyson conhecê-la. A menina tinha um irmão, Filipe, de 8. “Filipe me deu um abraço apertado e falou: ‘eu quero uma família’. Não tinha nem o que dizer, vamos comprar um beliche”, conta Toni. Alyson ganharia, então, mais dois irmãos. “No começo, achei estranho ter dois pais, mas depois passei a aceitar”, diz Jéssica, ao blog. “Superrespeito e sou superfeliz”, completa ela.

Com infâncias marcadas por percalços, Alyson, Filipe e Jéssica, têm, hoje, uma outra vida. Eles estudam – Filipe e Jéssica nunca tinham frequentado colégio antes, conta Toni – e já planejam seus futuros profissionais. Jéssica é modelo e quer ser médica; Filipe planeja ser veterinário e lutador de boxe; e Alyson gosta de dança e pretende fazer Direito. No mais, os cinco têm uma rotina de alegrias e dificuldades, como qualquer outra família. E um foi aprendendo com o outro. “Eu não conhecia essas músicas de funk, achava muito vulgar. Fui percebendo que têm algumas músicas de funk que falam muito da história das pessoas, das comunidades, e eles começaram também a gostar de música clássica, MPB, nossos gostos foram se misturando. No pendrive do carro, tem músicas nossas e deles, é questão de aprendizado. Eles não serão minha fotocopia, e isso é importante.”

E a família toda também se uniu para divulgar sua história, em canais como o Facebook, onde é possível encontrá-los na página Adoções Sem Acepções. “É possível e necessário adotar crianças e adolescentes fora do padrão que tem sido predominante no Brasil. A maioria das crianças e dos adolescentes à espera da adoção não é branca e não é bebê ou crianças menores”, eles dizem. E, depois desse longo caminho para formar seu clã, Toni garante: “A melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida foram eles”.

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