Na véspera desta segunda, dia 28, quando se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBT, a atriz Nanda Costa, de 34 anos, e sua mulher, a percussionista Lan Lanh, de 53, decidiram revelar, primeiramente em suas redes sociais, e depois no Fantástico, que elas estão grávidas de gêmeos. Foram 5 meses mantendo a novidade em sigilo.

Depois de uma semana marcada por ataques homofóbicos contra a campanha LGBTQIA+ do Burger King e pelas falas polêmicas do apresentador Sikêra Jr. atacando os homossexuais, a imagem do barrigão de Nanda e do casal junto, transbordando alegria e beleza durante entrevista ao Fantástico, reverberou uma onda de amor nas redes sociais. Foi simbólico.

As duas mães Nanda e Lan Lanh. Foto: Rê Duarte/Reprodução Facebook/Lan Lanh

Porque, sim, a população LGBT pode realizar o sonho de se tornar pai ou mãe se quiser, e existem vários caminhos para isso: Nanda e Lan Lanh, por exemplo, optaram pela fertilização in vitro, usando os óvulos da atriz; o saudoso humorista Paulo Gustavo e seu marido Thales Bretas recorreram a duas barrigas de aluguel nos EUA e, por meio de inseminação artificial, tiveram dois filhos; há ainda casais homoafetivos (ou solteiros) que entram na fila de adoção.

Atualmente, no Brasil, mais de 4.300 crianças estão disponíveis para a adoção, segundo o Conselho Nacional de Justiça. No ranking de quem faz cadastro para adoção, casais homoafetivos femininos e masculinos ocupam, respectivamente, o terceiro e o quarto lugares, atrás dos casais héteros e das mulheres solos.

E assim como a população LGBT pode se tornar pais ou mães, os héteros não têm obrigação nenhuma de gerar filhos, se assim desejarem. A tal ‘família tradicional brasileira’ é essa: a que tem amor como alicerce independentemente de sua configuração e, quando envolve filhos, não prescinde de maternidades ou paternidades responsáveis – num país em que mais de 5 milhões de brasileiros não trazem o registro do nome do pai na certidão de nascimento.

“A gente está vivendo um momento tão angustiante, todo esse processo da pandemia. Eu perdi meu pai há 2 meses para a covid, e eu acho que essa notícia assim de duas crianças foi tão bom, está sendo tão bom de dar para a família, para os meus sobrinhos, para as mães, para avós, para minhas irmãs, para os amigos. Dá uma esperança”, disse Lan Lanh, no Fantástico – a percussionista compôs a música Duas Mães inspirada neste momento.

Ainda há esperança – e amor – em tempos de cólera.