Sandra Chayo em palestra para alunos de Moda na FAAP (Foto: Rafayane Carvalho)

Sandra Chayo, uma das três irmãs à frente da famosa Hope, compartilhou a história da marca e o seu conhecimento sobre o mercado de underwear com os alunos do curso de Moda da FAAP. A empresária, formada em arquitetura pela instituição, conta com muito orgulho a trajetória da empresa que mantém o negócio familiar desde o início.

A marca foi fundada pelo libanês Nissim Hara, pai da Sandra, caracterizado por ela como alguém que “pensa muito à frente do seu tempo”. Em 1966, a Hope oficializou o seu nascimento com uma pequena fábrica no Brás, em São Paulo, e desde então tem sido só sucesso – fazendo jus ao seu nome, que significa esperança (de que tudo dará certo). Atualmente, as peças são fabricadas no Ceará devido à demanda de mão de obra, mas o escritório fica na capital paulista.

A Hope se destaca, dentre vários fatores, pelo pioneirismo em uma estratégia de marketing atual: aparecer nas telenovelas. Em 1985, época em que “Roque Santeiro” dava um show de audiência na Rede Globo, Nissim Hara acreditou que a calcinha que estava lançando deveria aparecer no enredo da dramaturgia, em horário nobre – e não nos intervalos comerciais, como de costume. Com determinação e persistência, esse objetivo, que se tornou e ainda é tendência, foi alcançado e as vendas aumentaram significativamente.

Hoje em dia, a produção da marca é subdividida em categorias: Hope Lingerie, Hope Resort (fitness e beachwear) e Bonjour (focada em sutiãs, calcinhas e modeladores funcionais e confortáveis para o dia a dia). Donos de grandes campanhas, o Grupo Hope conta com parcerias de peso no seu histórico, que incluem Gisele Bündchen, Juliana Paes, Yasmin Brunet e Sabrina Sato. Pode-se dizer que a empresa tem grande responsabilidade em relação à ressignificação da lingerie, que deixou de ser uma peça usada apenas por necessidade, sem apelo estético, para se tornar uma referência de moda.

Segundo Sandra Chayo, a empresa usa modelos profissionais apenas para fotografias de catálogo e e-commerce, enquanto nas campanhas são representadas mulheres reais, que têm relação com o público-alvo e com o lifestyle da marca. Sobre a diversidade de tamanhos, a empresária diz:“temos uma numeração bem abrangente, que vai do PP ao XGG, e os sutiãs vão da taça A à DD. Buscamos oferecer essa amplitude principalmente online, pois às vezes os lojistas não compram uma grade variada, afirmando não ser economicamente viável. A ideia é ter sempre disponível no site, porque se o lojista não compra, o cliente não fica desamparado”, afirma.

E vem novidade por aí: “Estamos fazendo um teste com a Bonjour, planejando lançar uma coleção exclusivamente plus size para ver como será a aceitação do público, que misteriosamente ainda é muito devagar no Brasil. O que mais vende é o M, não temos como mudar o comportamento de consumo”, conclui.

 

Reportagem de Maria Clara Orrico – 6º semestre de Moda da FAAP