A importância em entender sobre gestão ainda na faculdade foi um dos principais pontos abordados pelos entrevistados da quarta reportagem da série Moda Empreendedora. Lorena Prado, da Mohit, Marcela Frisoni, da Marcela Frisoni Studio, e Luis Munhoz, da Lord Munhoz, falam também sobre como iniciaram no concorrido mercado. 

Moda praia

Lorena Prado é responsável pela criação e gestão da marca de moda praia e activewear Mohit, que, neste ano de 2022, completa oito anos. A estilista, formada em Moda pela FAAP, sempre teve gosto pelas artes plásticas e, em seu trabalho de conclusão na faculdade, optou pelo desenvolvimento de estamparia aplicada à decoração. Nascida em Santos, Lorena foi encorajada por colegas e seus pais a abrir marca própria. Em outubro de 2014, lançou sua primeira coleção, cujas estampas foram feitas por ela, à mão.

Lorena Braun Prado. Foto: Reprodução/ Instagram

Em 2019, cinco anos depois, Lorena lançou sua primeira linha de roupas para ioga e passou a comunicar o significado por trás de suas estampas: “Achei importante fazer a transição de uma marca de moda para uma marca de lifestyle. Queria incentivar as pessoas a consumir de forma consciente, tanto na forma de consumir, quanto na forma de se relacionar com o nosso corpo, nossa saúde e todos os aspectos da nossa vida”, disse, acrescentando que vai ao completar oito anos de marca, mudou a identidade para comunicar melhor os valores e estar em contato com as pessoas que também se identificam com a ideia da busca por um estilo de vida melhor.

Em 2020, a estilista lançou novas coleções para a Mohit e, também, ministrou um curso de estamparia, autoconhecimento, criação de arte e energia das cores. Hoje, faz vendas internacionais e pretende expandir para venda no atacado.

Sobre empreender, disse não era algo que pensava, antes da faculdade. “Meu pai é engenheiro agrônomo e administrador de empresas, então ele sempre dizia que via mais potencial em eu fazer moda, porque poderia ter minha marca e trabalhar em escala. Como empreendedor é preciso tomar decisões e, no início, existem muitas inseguranças. Tive muita intuição, mas empreender não é a coisa linda do ‘eu faço meu horário’. Têm muitos detalhes que fogem dos conhecimentos de quem não empreende.”

Lorena veste Mohit. Foto: Reprodução/ Instagram

Para Lorena, ter estudado na FAAP foi uma experiência maravilhosa, para a vida e para o meu crescimento como profissional. “Eu acho que, apesar de ter escolhido a faculdade por toda a estrutura que ela oferece, eu vejo que o corpo docente, coordenadores, professores e aqueles com quem convivemos contribuem muito para tudo aquilo que a gente vem a se tornar ao longo da nossa vida”, finaliza.

Ilustrações

Marcela Frisoni, de 26 anos, seguiu um caminho diferente da maioria. Formada em Moda na FAAP na turma de 2016, atua como ilustradora, com uma marca própria:  Marcela Frisoni Studio. Hoje, ela atua sob encomenda, mas pretende expandir sua gama de produtos para o mercado da papelaria e decoração.

Marcela Frisoni. Foto: Divulgação

Sua trajetória como artista teve início muito cedo, antes mesmo da graduação, porém, em 2019, com o falecimento do seu pai, enveredou pela carreira da ilustração, que foi resultado de uma necessidade de exteriorizar suas emoções por meio da arte.

Em 2020, Marcela começou a realizar encomendas, majoritariamente ilustrações de animais de estimação. Hoje, é também sócia do atelier de sua família, Rosaria Cunha Bebê, onde criam produtos para maternidade, decoração para quartos infantis e para o Natal.

Marcela ilustrando para Marcela Frisoni Studio. Foto: Divulgação

A ilustradora diz que foi na faculdade que percebeu que tinha o perfil de empreendedora. “O curso de moda da FAAP é bem completo porque explora tanto a parte criativa, no sentido de desenhar, costurar etc, quanto a parte de gestão de negócios, que ajuda a criar um negócio de forma mais estruturada e planejada. O foco maior do curso, claro, é a parte de criação, mas para quem tem o espírito de empreender, além de ministrar matérias de Empreendedorismo, Gestão e Marketing, a instituição oferece serviços de consultoria e mentoria”, explica, lembrando que existe ainda o curso de Pós-Graduação de Negócios e Varejo de Moda.

Roupas masculinas

Luis Munhoz, da turma de formandos da FAAP de 2020, é diretor criativo e empreendedor responsável por sua marca, lançada em Abril de 2021, a Lord Munhoz.

O jovem de 23 anos comentou que sempre teve o desejo de ter seu próprio negócio e, antes mesmo da graduação, já se imaginava como administrador e estilista. No entanto, o cenário de recém-formado, em meio à pandemia, foi o empurrão inicial para que ele ingressasse cedo no mercado de moda.

Luís Munhoz. Foto: André Liarte

Sua marca, criada a partir de seu Trabalho de Conclusão de Curso, procura trazer uma nova visão para o mercado brasileiro de moda masculina, considerado conservador e pouco diversificado.

“Se você coloca uma cor mais chamativa, já recebe olhares. O homem quer usar brilho, mas não encontra. Então decidi abrir a marca, tendo em mente que existem pessoas buscando o mesmo que eu, uma silhueta, uma cor, um brilho. É algo que não se encontra facilmente no Brasil”, destaca.

Segundo ele, a marca procura questionar essa questão de gênero na moda. “Roupa é roupa. Não necessariamente um vestido é para mulheres. Um vestido é um vestido, qualquer um usa. Mas no País ainda temos muito essa questão. Meu pensamento é trazer uma visão nova para moda masculina, até um ponto que não precisemos falar em moda masculina e moda feminina. Meus planos são transformar a marca em agênero, mas temos que começar mudando o pensamento masculino”, ressalta.

Peças Lord Munhoz. Foto: Reprodução/ Instagram

O estilista acredita ser importante o desenvolvimento empreendedor, tal como ocorre na FAAP. “O Brasil é um local onde se empreende muito, mas se entende pouco sobre. Ainda mais por serem inúmeras áreas no mercado. Moda é um negócio, e ter conhecimento sobre áreas como administração, financeira, entre outras, agrega valor ao seu trabalho e faz o consumidor ter uma outra percepção positiva sobre a sua marca” conclui Luís.

 

Por Barbara Marques (aluna do 7º semestre do Curso de Moda FAAP), com a colaboração das professoras Maíra Zimmermann e Monayna Pinheiro.