“A moda absorve e reflete os fluxos do mundo, capta os acontecimentos, vivências subjetivas, fatores econômicos, políticos e culturais e os transforma em imagens, roupas e acessórios.” A afirmação da pesquisadora, consultora e jornalista Cristiane Mesquita reflete bem o que vivenciamos atualmente e mostra que os influenciadores, termo tão usado hoje, sempre existiram.

Eles influenciaram não somente a moda e o comportamento de uma época, mas as artes, a cultura e outros segmentos. Também são chamados de “Zeitgeist”, que significa “Espírito do Tempo” em alemão.

A nobreza foi um dos primeiros grupos influenciadores da vestimenta que se tem conhecimento. Tanto que no final da Idade Média, com o surgimento dos alfaiates, os burgueses começaram a copiar as roupas dos nobres e esses, por sua vez, inventavam algo novo para se diferenciarem. Começava aí um movimento de criação e cópia, que nunca mais acabou. Pelo contrário, só acelerou com a revolução industrial, com o capitalismo e, até o final do século passado, com o boom das fast fashion.  

Com o surgimento da Alta Costura na França, em 1850, os grandes influenciadores da moda se tornaram os estilistas, que assinavam suas coleções impondo seu gosto:

“Não é executar, mas criar. Não é encomenda, mas dizer o que os outros precisam” – Worth

“Não basta um costureiro ser autoridade, a moda orienta toda uma sociedade e pode opinar em tudo” – Paul Poiret

Nos anos 1930, o movimento que estava em alta era o das atrizes de Hollywood, com o crescimento do cinema americano, como Greta Garbo, Marlene Dietrich e Jean Harlow, que influenciavam o mundo todo com uma moda mais feminina. Vestidos compridos com a cintura no lugar, silhueta marcada, tecidos como a seda e o cetim e o decote nas costas traziam toda uma sensualidade.

Os anos 1940 foram marcados pela segunda guerra mundial, acontecimento que mexeu com tudo no mundo, inclusive a moda. Na primeira metade as roupas se assemelhavam às fardas masculinas. Por causa da escassez de recursos, houve muito reaproveitamento de tecidos de decoração nas roupas, assim como as mulheres que desenhavam a costura da meia calca nas pernas, para driblar a ausência das mesmas no mercado. Depois de 1945, surgiu o new look de Dior, demonstrando o uso farto de tecidos, representando um movimento de prosperidade.

Nos anos 1950, o movimento jovem americano se fortaleceu. Os pilotos de avião que voltaram da segunda guerra com suas jaquetas de couro se juntaram aos trabalhadores das minas, que usavam jeans rasgados. Ao som de Elvis Presley, lançaram a era Greaser, influenciando a moda Rock and Roll. 

Os anos 1970 foram marcados pelo movimento hippie, que contestava a participação dos Estados Unidos na guerra do Vietnã. O Flower Power e Peace and Love estavam presentes nas roupas e acessórios como forma de se comunicar, através de estampas florais, tecidos naturais e cabelos despenteados. A influência do verão de 69, quando esse movimento começou em Sao Francisco, se vê até hoje na busca de uma alimentação mais natural e economia compartilhada, por exemplo.

Já mais recentemente, nos anos 1980, os grandes ídolos e influenciadores que massificaram a moda jovem no mundo vinham da música, como Madonna, Prince e Michael Jackson. Uma década conhecida pelos exageros nas formas e nas cores na moda, que refletiam um período de bonança econômica, trazido, entre outros, pela geração Yuppie.

Nos anos 1990, vivíamos o auge das Fashion Weeks e o grupo que mais se destacava e influenciava era o das Top Models, como Claudia Schiffer e Kate Moss, por exemplo. O movimento “hi-lo” da moda começou com elas, que misturavam peças de grandes marcas com as suas mais básicas.

 

Silvia Scilgiano é consultora de tendências e comportamento formada pelo FIT (Fashion Institute of Technology) e vice-presidente da Associações Internacional dos Consultores de Imagem. Referência na área, a especialista aborda esse e demais temas no curso de extensão “Movimentos que Influenciam a Moda”, na FAAP, cujas inscrições estão abertas.
@silviascigliano
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