Em continuidade à série Moda Empreendedora, iniciada no ano passado para jogar luz sobre ex-alunas da FAAP que empreendem no concorrido mercado da Moda, a reportagem desta semana destacará a trajetória de Ana Luisa Fernandes e Heloisa Funaro, criadoras e estilistas de suas marcas, e Bethina Oger Garcia, que coordena um espaço colaborativo de trabalho voltado aos profissionais de moda.

Destaque na SPFW

Ana Luísa Fernandes, paraense e ex-aluna do curso de Moda da FAAP, é a mente criadora e empreendedora por trás da ALUF, marca já consolidada no mercado, que participa de desfiles na SPFW, conta com quase 60 mil seguidores no Instagram e, em agosto de 2021, abriu loja física nos Jardins, em São Paulo.

Ana Luísa Fernandes. ALUF. Foto: Lucas Sant’anna

A estilista tem uma história riquíssima, tendo participado de concursos e iniciativas como o FAAP Moda, o World University Student Fashion Design Competition, que aconteceu na China, no qual foi vencedora, e da Brasil Eco Fashion Week.

De acordo com a estilista, ela havia considerado fazer outras graduações, porém, a moda sempre foi sua paixão. Seu presente de 15 anos, por exemplo, foi uma máquina de costura. Ingressou no curso imaginando ter uma carreira como diretora de arte ou produtora de moda, no entanto, ao ser apresentada às aulas de criação da FAAP, instituição escolhida justamente pelos laboratórios e matriz curricular diversificada, encontrou-se como criadora.

A partir de seu Trabalho de Conclusão de Curso, criou o que hoje é a ALUF e, em seu site, pode ser encontrada sua monografia que serve como manifesto da marca. A arteterapia, a produção nacional e a sustentabilidade são apenas alguns de seus pilares como criadora e gestora.

SPFW N.48 – Projeto Estufa, ALUF. Foto: Zé Takahashi

“Entrei na faculdade com a vontade de trabalhar em redação, mas com as matérias de criação descobri que uma coleção comunica de forma mais completa meu pensamento, muito mais do que um texto”, diz.

Para Ana Luisa, o processo criativo é de autoconhecimento. “Eu me conheci muito no meu TCC e a partir dele desenvolvi todo o embasamento teórico da minha marca. Eu amava criar, mas foi em uma aula de joalheria que fiz uma peça e uma colega disse que queria comprá-la e eu pensei: ‘Nossa, alguém quer dar dinheiro por algo que eu fiz! Que incrível.’ E aí eu percebi que isso era muito legal, porque, se as pessoas estão comprando seu trabalho, é porque apoiam e acham que aquilo tem valor. Foi assim que vi que eu gostava e podia fazer algo vendendo minhas criações”, finaliza.

Coworking de moda

Formada em 2014 em Moda pela FAAP, Bethina Oger Garcia é responsável pela criação de um negócio inovador dentro da indústria: um espaço de coworking dedicado aos profissionais do mercado de moda.

Bethina Oger Garcia. Foto: Divulgação

O Coworking Mob Fashion, criado em 2020, nasceu de um desejo da empreendedora de desenvolver um espaço com infraestrutura para marcas itinerantes no mercado, onde encontram-se estúdio fotográfico, atelier de costura, sala de aula e salas privativas para estoque.

Descobriu este nicho no mercado quando, em 2017, após ter trabalhado na indústria em ateliers e marcas de fast-fashion, decidiu ter um negócio próprio. Assim, conheceu um espaço de coworking, no qual permaneceu como parte da equipe por dois anos. Após a experiência, decidiu criar seu próprio espaço, dedicado somente a profissionais da moda.

Espaço Coworking Mob Fashion. Foto: Reprodução/Instagram

 

Sobre sua experiência na faculdade, a empreendedora comentou: “Sempre achei que na faculdade de moda iríamos aprender somente criação, desenho, artes, criatividade, mas a FAAP me mostrou que moda é muito mais que só criação. Eu conheci um mundo cheio de oportunidades, onde você pode empreender na moda. A faculdade me mostrou esse outro lado, com aulas de matemática, empreendedorismo, administração e, também, a parte de criatividade e inovação. A minha experiência e carreira vêm para provar isso, porque entrei na faculdade convicta que seria estilista, trabalharia em uma marca. Mas a vida me mostrou o mundo do empreendedorismo e dos negócios de moda”, destaca.

Hoje, como CEO de sua empresa, diz que pôde unir suas paixões: a moda, o ensino e a administração.

 Moda infantil

Heloísa Funaro, formada em Moda na FAAP na turma de 2013, criou no mesmo ano de sua graduação a marca de moda infantil Loli Funaro. Pouco depois, expandiu sua gama de produtos para algo nada convencional: conjuntos semelhantes para crianças e suas bonecas.

Heloisa Funaro. Foto: Divulgação

 

A empreendedora descobriu a paixão pela moda infantil durante sua graduação e, como conclusão de curso, realizou trabalho inspirado em Anastasia e na dinastia russa. Sobre o momento de recém-formada, comentou: “Quando me formei deu aquele frio na barriga de ‘e agora o que vou fazer?’. É sempre o primeiro pensamento, desde que não estamos preparados para o mercado de trabalho, mas sinto que saí da faculdade com bagagem para enfrentar os obstáculos do mercado e o dia a dia como empreendedora”, ressalta.

Peças Loli Funaro. Foto: Reprodução/ Instagram

 

Sobre a descoberta do universo das roupas para bonecas, disse: “Começou naturalmente, uma mãe pediu a primeira [roupa] como encomenda e vi um nicho que não era muito explorado no Brasil. Foi assim que surgiram os looks iguais”, finaliza a empreendedora.

Hoje, a Loli Funaro veste meninas e suas bonecas no mercado nacional e internacional.

 

Por Barbara Marques (aluna do 7º semestre do Curso de Moda FAAP), com a colaboração das professoras Maíra Zimmermann e Monayna Pinheiro.

 

Moda Empreendedora é tema de uma série de reportagens produzida pela aluna Barbara Marques, da FAAP