Está enganado quem pensa que só os alunos de audiovisual conquistam premiações e são indicados para festivais de filmes. As estilistas Victória Torreti Momesso e Julia Martinez são a prova disso. Formadas em Moda pela FAAP, as criadoras estão presentes em festivais internacionais com seus trabalhos de conclusão de curso (TCC) em formato de fashion film.

Victória Torreti Momesso desenvolveu a coleção New Perspective, com looks que propõem o empoderamento das mulheres por meio do conforto e da elegância da alfaiataria dos anos de 1940 e 1980. O fashion film da coleção foi selecionado para o Noble International Film Festival and Awards, realizado na Índia e que premia produções independentes ao redor do mundo.

Já o fashion film de Julia Martinez, chamado Menhera, desenvolvido para apresentar uma coleção de joias, fruto de seu TCC, foi vencedor da categoria Best Cinematography, na edição de 2021 do Hollywood Blood Horror Festival, que ocorreu online. A produção também foi selecionada para o Horror Lust Film Festival, nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Atriz.

Os fashions films são vídeos curtos, bem produzidos, que apresentam o conceito de uma coleção de moda, a partir de uma narrativa. Com o distanciamento social, tornou-se uma alternativa para as marcas apresentarem suas coleções nas semanas de moda, como ocorreu no último SPFW. A FAAP, por exemplo, foi palco de duas produções: da Anacê, de Ana Clara Watanabe e Cecília Gromann, estilistas formadas pela FAAP, e do Samuel Cirnansck.

Comunicação de Moda

De acordo com o professor André Fratti, que dá aula de criação de filmes no curso de moda da FAAP, não há uma definição certa de quando começaram a existir os fashion films e nem em qual país. No entanto, desde o final da década de 1960 é possível ver essa experimentação em fazer esse tipo de produção com o objetivo de apresentar algo do mercado de Moda.

“São mais de 50 anos de produção de fashion films. No entanto, há um boom hoje por conta das redes sociais, que têm mediado a relação das marcas com seus consumidores por meio da imagem em movimento, dando um novo valor a esse tipo de produção”, explica o professor.

Para ele, atualmente, o público se engaja nas redes sociais, a partir de uma relação que se constrói por conteúdo, em especial os vídeos. “E as marcas estão cada vez mais entendendo que não podem apenas produzir propaganda e sim conteúdo de qualidade, para se conectar com o seu consumidor”, finaliza.