O metaverso da SPFW e o desfile em parceria com o Free Fire estão sendo os destaques desta edição

A indústria da moda tem se tornado cada vez menos tangível. Seja por conta da busca por desenvolvimentos tecnológicos mais avançados ou por demandas sustentáveis em relação à geração de menos resíduo têxtil, há um crescente desenvolvimento de softwares de criação de peças em 3D. Muito do que a moda vem apresentando ultimamente pode ser relacionado à pandemia e à virtualização das relações, mas é evidente que o caminho para um mercado muito fortemente atrelado ao virtual já vem de tempos mais remotos.

Empresas como a The Fabricant, que criam roupas 3D para grandes marcas, como Adidas, Puma e Tommy Hilfiger, têm se tornado cada vez mais comuns, e produtos que só podem ser consumidos – e vestidos – em ambiente digital se tornam objetos de desejo até mesmo daqueles que não estão imersos no mundo da moda. Exemplo disso é o tênis lançado pela Gucci no início de 2021, intitulado Gucci Virtual 25. Vendido por apenas 12 dólares, tem seu uso exclusivo em mídias digitais, por meio do aplicativo Wanna, no jogo  Roblox e no VRChat.

A relação entre a indústria e a virtualização pode ser fortemente evidenciada na edição de número 52 da SPFW, que ocorre até 21 de novembro. A semana da moda deste semestre, além de acontecer em formato híbrido, também introduz o metaverso, ou seja, um mundo virtual que, através de meios digitais, busca replicar o mundo real.

Deste modo, foram criados apresentadores virtuais que conduzem eventos em datas cujos desfiles são abertos ao público. Os rostos dos personagens surgem da mescla de traços de diferentes pessoas e têm suas vozes dubladas pelo influenciador André Do Val, a jornalista Camila Yahn, e Paulo Borges, criador da semana de moda paulista.

Imagem do metaverso da SPFW. Foto: reprodução_Instagram

Da inversão do conceito de trazer o real ao digital, ou seja, da iniciativa de transformar o virtual em físico, nasce um dos desfiles mais esperados e de acesso mais concorrido da SPFW 52. O SPFW N’ GAME, por meio de uma iniciativa do Santander, que é patrocinador do evento, em conjunto com o jogo eletrônico Free Fire, apresentou peças desenvolvidas pelo stylist Daniel Ueda e executadas por Alexandre Herchcovitch, que tinham como objetivo trazer à vida trajes usados pelos personagens do jogo.

Sakura, Hip Hop, Kit Angelical, Hypado, Sombra Roxa, Rolezeiro, Gola Alta, T.R.A.P. Zika e Brabo, T.R.A.P Chavosa e Chavoso, Coração Urbano, Mano Milgrau, Calça Angelical, Gatitude, Loucura Rebelde e Espírito Púrpura foram as 20 skins (roupas dos personagens virtuais) selecionadas para serem transformadas em looks de passarela.

Desfile SPFWN’GAME. Foto: Barbara Marques

Na entrada do evento exclusivo a 250 convidados, foram distribuídos como presentes powerbanks movidos a energia solar. Estavam presentes influenciadores digitais e personalidades da mídia, como Camilota XP, apresentadora do Free Fire Sports Brasil, além de importantes indivíduos do SPFW, como Paulo Borges e Sérgio Rial, diretor do Santander, que, na ocasião, assim como alguns outros nomes de peso, vestiram jaquetas bomber  vermelhas e brancas, com o grande logo do banco estampado nas costas. Nas passarelas, desfilaram Isabeli Fontana, que abriu o evento, Renata Kuerten, Weedzão, bicampeão mundial de Free Fire, Marcelo Dias, gamer conhecido como MOB, e Gilson Santos, também jogador, conhecido como GS.

Todos os modelos vestiram perucas que os assemelharam ainda mais aos personagens do jogo e os distanciaram de suas imagens pessoais.

Powerbank carregado a energia solar dado aos convidados do desfile. Foto: Barbara Marques

Antes do início do desfile, foram projetados nas telas, atrás das fileiras de assentos, textos rápidos explicativos do evento, majoritariamente em vermelho, cor do banco Santander, além de lasers, luzes e grandes imagens. Também antes da entrada dos modelos, foram introduzidos vídeos do jogo Free Fire que continuaram a ser exibidos no decorrer do evento de apresentação dos 20 looks. As gravações, em conjunto com as músicas eletrônicas e de hip-hop escolhidas para acompanhar o desfile, proporcionaram uma sensação de imersão no espaço da passarela.

As peças idealizadas por Daniel Ueda consistiam em itens como kimonos, calças, jaquetas, bermudas e camisetas com detalhes de grandes fivelas, tiras e bolsos, em tons das cores azul, rosa, vermelho, roxo, preto e branco. Aos looks, foram adicionados, além das perucas, acessórios como cintos, óculos, chapéus, bonés, pochetes e até mesmo tiaras de orelha de gatinho, além de calçados como grandes tênis, com elementos brilhantes e fluorescentes, e botas.

Após a conclusão do desfile, foram introduzidos aos telões grandes QR Codes em branco, vermelho e preto. Paulo Borges foi à frente dos convidados e disse que os códigos representavam a última surpresa que estava por vir. Primeiramente, agradeceu o Banco Santander e exaltou a iniciativa do SPFW de trazer, pela primeira vez, o game às passarelas. Chamou Sérgio Rial, que pediu uma salva de palmas ao criador do SPFW e o chamou de herói.

“Todo mundo está muito emocionado de, depois de quase dois anos, estar assim (unidos). Então não sou eu, são todos. Estilistas fotógrafos. Vi um fotógrafo chorando emocionado de estar aqui”, disse Paulo. Rial então complementou dizendo que “a moda faz isso acontecer, e você (Paulo) faz com que essa moda aconteça em São Paulo.” Por fim, reiterou a inovação em trazer as skins do jogo à semana de moda, além da introdução do metaverso ao evento, e explicou que os QR Codes projetados estavam linkados à plataforma da Alfa Leilões, onde as peças únicas e exclusivas exibidas no SPFW N’GAME seriam leiloadas e o dinheiro arrecadado 100% revertido para o programa Amigo de Valor, do Banco Santander. O lance inicial do leilão foi de R$2 mil e esteve aberto do momento de conclusão do desfile até o dia seguinte.

 

Matéria produzida por Barbara Marques (aluna do 6º semestre do Curso de Moda FAAP)