Por Camila Fanchini Rossi

 

Quem esteve em Bauru, entre os dias 11 e 15 de outubro, no 13º Colóquio de Moda, se deparou com uma bela mostra de joias, que reuniu trabalhos de criadores de diferentes partes do Brasil.

Com curadoria de Miriam Mirna Korolkovas, representante da AJF (Art Jewlry Forum) que pesquisa as diversas expressões de joalherias no País, a exposição “Expressão Plural na Joalheria Contemporânea Brasileira” surpreendeu pela variedade dos trabalhos apresentados.

O olhar particular de cada designer e artista participante contribuiu para a composição de um conjunto de joias onde a exploração de técnicas e materiais revelou resultados instigantes, elegantes e inusitados.

Trabalhos com matérias vegetais mesclavam coco, sementes, folhas secas e madeira associadas a metais, linhas e até mesmo papel, apontando uma forte característica da joalheria nacional.

Pulseiras em papel, coco de piaçava e prata, de Maíra Rodrigues dos Santos (BA) e Carla de Carvalho (BA); colar em prata oxidada, semente Arapari e fibra vegetal, de Ivete Cattani (RJ); colar com linhas costuradas sobre folha seca e base em latão de Ezequiel Romero e Clarice Borian (SP)

 

Muitos foram os designers que experimentaram com  materiais pouco convencionais. Além dos exemplos inspirados na natureza, outros adornos apresentaram materiais como tecido, sacos plásticos, botões e borrachas de panelas de pressão, que foram usadas nas gargantilhas da joalheira Paula Mourão (RJ) para sustentar peças de ferro esmaltado.

Colar em ferro, borracha e esmalte, de Paula Mourão (RJ); colar em prata com banho de ródio e vinil (PU), de Camila Rossi (SP)

 

Já colares longos e o maxi-anel de Adeguimar Arantes (GO) mostraram o desejo por proporções extremas.

Anel em madeira, prata e cristal de rocha, de Adeguimar Arantes (GO); braceletes em cobre, vidro e mercúrio de Marina Lima (SP)

 

Não se restringindo às qualidades estéticas, certas joias propunham questionamentos e reflexões, como o colar “Memórias” de Luise Weiss (SP) formado por saquinhos plásticos que guardavam objetos colecionados pela artista, e as peças da série “Protesto” de Marina Lima (SP) onde o mercúrio, vilão dos garimpos, figurava aprisionado em tubos de vidro e cobre.

Colar em cerâmica e botões de Lídia Lisboa (SP); colar em plástico com objetos de coleção, de Luise Weiss (SP); gargantilha em prata reciclada e papel, de Diego Saraiva (SP)

 

As peças únicas ou produzidas em pequena escala exibiram uma profusão de estilos que deixou os visitantes admirados, comprovando que não apenas metais e pedras preciosas constituem a riqueza da nossa joalheria.

Anéis em prata e resina, de Ana Bellagamba (RJ); colar em madeira e materiais têxteis de Jessica Fateiga Câmara (SP)

Camila Fanchini Rossi é coordenadora da pós-graduação Design de Joias: luxo, arte e moda e professora do curso de Design de Moda e dos cursos de Joalheria da FAAP