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Assuntos vistos com os olhos de um aprendiz de poeta: amor, vida, morte, sonhos, direito de escolha, redes sociais.

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UTILIDADE PÚBLICA

Se um furacão

ou ventania

causar confusão

e correria

não há um minuto a perder:

no mesmo momento

abra o seu PC

e clique em e-tempo.

 

COMPARAÇÃO

Não  adianta chorar

ir à sacada e bradar

oh tempora, oh mores!

 

Não somos maus

só temos o azar

de os outros serem melhores.

 

IDEIA DE BELEZA

Sou outro agora

 

Não me inquieta mais

a palpitação dos frutos

nem me instiga

a cobiça dos usufrutos

 

Minha ideia de beleza

é casta como uma flor

ainda não lambida pelo vento

e assim me basta

e há de sempre bastar

 

Ideias são sonhos

essência

 

Ideias o vento

não comete a indecência

de meter a mão e despetalar.

 

LIMIAR

Vivemos já o bastante.

Agora já tanto faz

Se dermos um passo adiante

Ou se dermos dois atrás.

 

CHAMADA

Na missa de corpo presente

quando o padre pronunciou

o nome do morto

ele inadvertidamente

seu estado esqueceu

e disse educadamente

fulano sou eu.

 

OPÇÃO

Direito de escolha

para quê,

e com qual fundamento?

 

Que importa à folha

saber qual será o vento

que a levará ao esquecimento?

 

O SALTEADOR

Digam o que disserem

o amor é o que é:

um salteador

 

Segue-nos

persegue-nos

assalta-nos

mata-nos

 

E se não faz isso

nós nos pomos a perguntar

que droga é essa

de salteador

se não sabe seguir

nem perseguir

nem assaltar

nem matar?

 

WEB

A amores tolos, virtuais,

E a coisas do mesmo naipe,

Não dê atenção demais,

Fuja logo, corra, skype.

 

HISTÓRIA

Eu em história sou fraco:

O que fazia um eunuco,

O que fazia um calmuco,

O que fazia um cossaco?

 

RESERVA

Que outros se matem por ti.

Quando não sobrar nenhum

E te servir um comum,

Eu estarei por aqui.