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Quando se quer exprimir o que vale uma mãe, quanto vale verdadeiramente uma mãe, costuma-se dizer: mãe é mãe. Não se poderia desejar frase melhor. Ela diz o que diz sem rodeios e, com três palavrinhas simples, expressa tudo que pretende expressar. Nada de adjetivos, de advérbios, de duplos sentidos, de sutilezas passadas nas entrelinhas, de complicações. Mãe é mãe, e ponto final.

Você, leitor, você, leitora, sabem que a frase é perfeita e, sem forçar a memória, podem dar exemplos e mais exemplos para justificá-la. E podem dizer outra frase, também perfeita na sua simplicidade: quem tem mãe tem tudo.

Eu, por mim, se me permitem, vou fazer um pedido: que cada um pense de minha mãe o que de melhor puder pensar da sua. Nada além disso. E podem ficar sossegados, que não vou falar de minha mãe aqui, não vou puxar reminiscências. Direi apenas o seguinte: ela me faz falta, desde o dia em que se foi, há muito tempo.

E, como uma espécie de homenagem a todas as mães, quero narrar uma cena que vi recentemente no meu querido bairro, o Jardim da Saúde.

Era sábado, dia de feira na Avenida do Cursino, e, saindo dela carregado de mexericas que tramavam conspirações, de maçãs que planejavam escapar da sacola, de tomates neuróticos que ameaçavam se esborrachar no chão, irritei-me porque, à minha frente, ia uma menina ziguezagueante que não me deixava passar, de jeito nenhum. Eu tentava pela direita, ela não me deixava. Eu tentava pela esquerda, ela me impedia.

O que mais exasperado me deixou foi que, além de ziguezaguear como ziguezaguearia um bêbado, a garota estava com um pedaço de madeira na mão direita e, usando-o como se fosse uma bengala, ia se apoiando nele e mancando com uma compenetração e uma habilidade únicas.

Depois de tentar várias vezes, de resmungar, de xingar, de me lastimar, de resistir ao impulso de empurrar a menina, finalmente consegui ultrapassá-la, mas logo empaquei de novo. Dois passos à minha frente, com uma bengala na mão direita, caminhava com dificuldade uma mulher. Ela se virou para trás e disse à menina:

“Vamos, filha, vamos logo.”

Olhei para a garota. E a expressão que vi no seu rosto me comoveu. Ela admirava a mãe, amava a mãe, e queria ser como ela, em tudo. Mesmo naquilo que alguém poderia considerar uma falha, um defeito ou uma privação.