Ele e ela são vendedores de sapatos e estão saindo de uma reunião com o gerente da loja.

“Laurinha, você viu o jeito dele quando eu falei das promoções? Parece que ele não gostou nada.”

“É, parece que não.”

“Mas ele precisava ouvir aquilo. Quer vender mais como? Menas promoções, menas vendas.

“Menos promoções, menos vendas.”

Foi isso que eu falei para ele, você não ouviu? Quantas promoções houveram nos últimos meses? Só a de Natal. E ele não gostou também do que eu falei do rodígio nos fins de semana.”

“É, quando você falou do rodízio ele fez aquela cara dele.”

“É que ele é mesmo assim, Laurinha. Eu conheço fazem três anos. Ele sempre foi mau humorado.

“Mal-humorado.”

“Ainda bem que você acha também. Tenho muita dó da família dele.”

“Ainda bem que ele nem falou naquela história de mexer nas comissões.”

“Ah, se ele proposse aquilo, eu ia engrossar, Laurinha, ia mesmo.”

“Você vai ver aquele vídeo que ele recomendou?”

“Vou nada. Eu sou vendedor já fazem cinco anos, tem cabimento um curso de vendas agora? Você vai ver?”

“Estou pensando. É capaz de valer a pena. Ele disse que tem dicas ótimas.”

“Ah, eu imagino, Laurinha…”

“Uma boa, mesmo, de verdade, é estudar inglês e sair dessa de vender sapatos.”

“Inglês? Sério? Por quê?”

“Eu vi num programa que uma pessoa tem que conhecer pelo menos duas línguas.”

“Eu vi esse programa também. Será que saber inglês é mesmo um plus a mais, como eles falaram?”

“Eu acho. Eu entrei num curso de inglês na internet. Até já baixei um livro, Romeu e Julieta, ouviu falar?”

“Eu vi o filme. Legal.”

“É. Dizem que o livro é muito melhor. Eu não sei ainda. Estou bem no começo. Levo meia hora para traduzir uma frase. O inglês não é nada fácil, não.”

“Eu ouvi dizer que a língua mais difícil do mundo é o brasileiro.”