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Uma mixórdia dos diabos, que começa com Shakespeare e termina em sexo prazeroso, para atrair os leitores.

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AULA DE LITERATURA

Shakespeare morreu

mas desafortunadamente

só depois que matou Romeu.

 

IDEAL

Morrer deveria ser

como tomar um banho morninho,

deitar e adormecer.

 

DE PÓ PARA PÓ

Nossos mortos nos estranharão:

cadê aquele sorriso lindo,

aquele cabelão?

 

O TEMPO CERTO

O cansaço e a castidade

são duas conquistas

da terceira idade.

 

A FÓRMULA

Para ganhar convém estar

ou no lugar certo

ou ainda mais perto.

 

PATENTES

Todos os provérbios –

uns mais, outros menos –

têm índoles ditatoriais.

 

OCASIÃO

Não tardes, menina.

Melhor me veres andando na são joão

que deitado na vila alpina.

 

DESCRENÇA

Penso em mim como quem pensa

num trabalho longo que não trará

nem prêmio nem recompensa.

 

NOS TRINQUES

Excetuando a maquiagem

e o ar apalermado

era um morto irretocável.

 

FUGACIDADE

Tínhamos tanto a dizer,

Mas deixamos o tempo ir

E o relato se perder.

Quem ainda, hoje, o quer ouvir?

 

FRUTOS

Ah amores adolescentes –

aquelas uvas, aquelas maçãs,

aquelas línguas, aqueles dentes.

 

ODE AO PRESENTE

Tempos magníficos, ideais!

Alegrias compartilhadas

E pecados virtuais.

 

ROSA (S)

A rosa dos ventos,

quem dela precisa?

A mim me basta

uma flor qualquer

soprada por qualquer brisa.

 

ESMOLA

Ela me deu um pão mastigado

que tinha cheiro de homem

e gosto de dente cariado.

 

QUEM?

Alguém pode me informar

se Lox(ch)as se escreve

com x ou com ch?

 

SOVINA

Era tão avarenta

que tendo a arca abarrotada

comia só pão e polenta

e não vestia Prada.

 

DELICADEZA

Não se preocupe com o que virá.

Se você vier a ser um defunto desmazelado,

quem lhe dirá?

 

NA PRAIA

Sonhar com gaivotas

tem sido meu sonho mais comum.

Elas passam e gritam

idiota idiota idiota

embora eu seja só um.

 

EXAGERO

Sexo prazeroso –

salvo engano –

é um pleonasmo vicioso.