“Você vai ficar uma fera com esta mensagem, Tica, eu sei. Eu já estou ouvindo você resmungar aí: será que custava ele aguentar mais três dias? E você vai dizer pra sua mãe (gritar, se ela estiver na cozinha fazendo bolinhos de chuva pro gato): adivinha quem me mandou mensagem.
A resposta vai vir com uma daquelas frases em que ela sempre revela como me ama e o faniquito que ela tem pelos garotinhos de novela: foi o Caio Blat?
Você não vai responder, eu acho (nem você, às vezes, suporta esse jeito dela), mas ela não vai dar trégua: foi o Tico, não foi? Quaaatro dias antes!
Esse erro na conta ela vai cometer só pra te irritar. Garanto que em alguma folhinha escondida na gaveta onde ela guarda os santinhos ela tem o dia certo circulado em vermelho. Irritada, você vai confirmar: foi o Tico, sim. Três dias antes. Trêêês!
Por essa birra da sua mãe, talvez você esteja sentindo vontade de me perdoar. Acho que eu mereço. Todo esse tempo sem te ver, sem te falar, sem mandar e sem receber uma mensagem…
Eu sei como é importante dar um tempo, você me explicou tudo direitinho, e eu já tinha alguma noção (eu sou bom nesses lances de psicologia, eu via muito os programas do Gasparetto), mas cinco dias, minha querida Tica, cinco dias sem ter notícias tuas eu não aguento, eu morro antes.
Vamos fazer o seguinte. Amanhã às seis eu te espero no Centro Cultural. Se a tua mãe fizer pressão contra, diz pra ela ficar maneira, que eu prometo levar o Caio Blat pra ela, embrulhadinho. Vestido de marinheiro, se ela quiser, ou de monge budista. E incluo o Cauã Reymond no pacote.
Se você acha impossível eu conseguir isso, você não me conhece. O amor tudo pode. Amanhã às seis, certo? Se não quiser discutir a relação, vem pra me explicar aquela história da crase. Tenho prova na segunda e ainda não sei se a gente vai a Brasília ou à Brasília. Beijos do teu Tico.”