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Alguns textos que, numa sexta-feira de Copa, talvez os leitores benevolentes possam acolher com um sorriso.

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MODOS DE PARAR

Quando quer parar

de cantar

o cantor

para

 

Quando quer parar

de esculpir

o escultor

para

 

Quando quer parar

de trair

o traidor

para

 

O escritor

quando quer parar

de escrever

escreve para dizer

que vai parar de escrever.

 

INJUSTIÇA

Não me mataram as doenças nem os amores.

O destino foi benévolo comigo

e cruel com meus leitores.

 

EQUÍVOCO

Não, meu senhor,

Tenha paciência,

Diga coisa que preste.

Não eram os cavaleiros do Apocalipse

que assaltavam diligências

no Velho Oeste.

 

NA EMBALAGEM

Não contenho glúten

não sou nocivo

nem sei se ainda estou vivo.

 

ASSIM ASSIM

Tudo é irrisório

inconsistente

ilusório

 

Felizmente

tudo é provisório.

 

PARCIMÔNIA

Economizemos

 

Digamos só sim

quando o sim bastar

e só não

quando for a ocasião

 

Não gastemos

palavras em vão.

 

PUDOR

Que pudico é o Amor.

Teríamos visto seu chifre

e seu magnífico rabo

se ele não nos houvesse cegado.

 

SCRIPT

O enredo de nosso romance foi belo,

Intenso, agudo, certeiro.

Eu fui o teu cordeiro,

Tu foste o  meu cutelo.

 

MECÂNICA

O amor, às vezes se vê,

Tropeça no bê-á-bá:

Chega bem ao ponto G

Mas tropeça na hora H.

 

GRADUAÇÕES

“Por que estou triste? Deixa te contar. É que aquele meu gato…”

“Ai, para!”

“É que aquele meu amor…”

“Conta logo, vai.”

 

GAVETA

Aos meus poemas coube a sina

de serem conservados

em tristeza e naftalina.

 

ESQUINA

Uma esmolinha

por favor.

Pode ser uma moedinha

pode ser uma notinha

pode ser uma fatiazinha

ainda que já mastigadinha

de amor.

 

EQUIDADE

Sejamos justos

 

Nem são tão amargos os frutos

agora

nem foram tão doces

outrora.

 

PERFEIÇÃO

 

Me fantasiei de zebra.

Todos os bichos acreditaram.

Infelizmente, até o leão.

 

TABELA

O amor, esse prostituto,

A cada abraço ou beijinho,

A cada afago ou carinho

Nos cobra sempre o tributo.

 

DRAMALHÃO

Na história de julieta e romeu

só ficou vivo

quem não morreu.