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FERNANDA LIMA – A Terra gira em torno de Fernanda Lima trezentos e sessenta e cinco dias por ano. A Terra ama os anos bissextos.

MARIO QUINTANA – Se em vez de pássaro fosse um daqueles aviõezinhos que escrevem no céu com fumaça, Mario Quintana rabiscaria diariamente um poema no azul de Porto Alegre.

LOBO ANTUNES – Lobo Antunes sempre teve um jeito curioso de não gostar de José Saramago: andou a vida toda grudado nele, como se fosse sua sombra. Talvez nem a amorosa Pilar del Río tenha sido tão assídua quanto ele.

JOSÉ SARAMAGO – Saramago está para Lobo Antunes como Alice Munro está para Margaret Atwood. Saramago e Alice gozam a paz – ele a dos mortos, ela a dos vivos realizados. Lobo e Margaret cantam uma triste musiquinha: Por chegarem antes, não ganhei meu Nobel.

PILAR DEL RÍO – Conhecendo-se tudo que ela fez pelo homem José e tudo que ela fez o escritor Saramago fazer, que nome poderia ter ela senão Pilar?

WILLIAM SHAKESPEARE – Sou um homem comum. Quis ser Shakespeare, mas foi há muito tempo, quando eu não sabia que Shakespeare era um deus.

MANOEL DE BARROS – Manoel de Barros dava a impressão de ter sempre no bolso uma lasquinha de lua e uma provisão de arcos-íris.

FERNANDO PESSOA – Em Fernando Pessoa, o suicídio, com todos aqueles heterônimos, seria um morticínio.

MACHADO DE ASSIS – As entrelinhas sempre odiaram Machado de Assis. Era o único escritor, na época, que não lhes dava folga nunca, nem quando os personagens tomavam café.

WOODY ALLEN – Se Woody Allen nunca tivesse estado em Nova York, não seria Woody Allen – e Nova York não seria o que é.

SIMONE DE BEAUVOIR – Dois minutos depois de um beijo de Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre transformou-se em Albert Camus.

JEAN-PAUL SARTRE – Creio que um dos motivos do interesse ainda suscitado por Jean-Paul Sartre seja o fato de Simone de Beauvoir estar nas linhas e nas entrelinhas dos seus livros e de sua vida.

SYLVIA PLATH – Sylvia Plath e o suicídio eram amantes. Ela o buscou a vida inteira e ele a procurou também e a cortejou e suspirou por ela, e a reclamou até quando ela estava entregue ao sono e aos sonhos. Sylvia celebrou esse amor ao seu amante em quase todas as linhas de todos os seus poemas. Fiel a ele, foi correspondida até o dia em que esse amor se consumou, em 11 de fevereiro de 1963.