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Viver é aquilo que já se sabe. Quando se começa a aprender, babau!

Geralmente, os relatos dos chamados exemplos de vida nos provocam mais bocejos que a vontade de segui-los.

Viver deveria ser algo que se pudesse fazer só de segunda a quarta, reservando-se os demais dias para atividades que realmente valessem a pena.

Não falemos mal da vida diante de jovens. Em nossa juventude, fizeram-nos tantas advertências. Nós as ouvimos?

Viver é a designação genérica que se dá a atividades díspares como compor uma sinfonia ou ir fazer exames de laboratório numa sexta-feira de manhã.

Viver nem sempre é tão sem sentido quanto parece. Às vezes é pior.

Viver é o tipo de jogo do qual você sai sabendo menos do que quando entrou.

Parece-nos belo viver em certos dias, se conseguimos nos esquecer de que sóis tão majestosos e pássaros tão alvissareiros brilharam e cantaram para Romeu e Julieta quando os induziram àquele horrível destino.

Viver é sempre a mais temerária de nossas atividades.

Gostaria de dizer que Priscylla Mariuszka Moskevitch foi uma criação de minha alma amorosa e perturbada. Gostaria de dizer que ela não pesa em minha vida mais que uma pluma flutuando num céu de primavera. Gostaria de saber mentir e dizer que as marcas que minha alma ostenta, fundas e dolorosas, não têm relação nenhuma com os dedos de Priscylla, longos e às vezes ternos.

Viver não é tão difícil. Vamos lá, você já conseguiu outras vezes. Recorra à memória. Algo deve ter ficado nela, desses tempos. Ao menos um pouco daquela esperança que era feita da errônea interpretação que você dava às intenções de certo sorriso e de certos traiçoeiros olhos verdes.

Viver é se debater e morrer é repousar. Viver é um modo de ser, morrer é um modo de estar.

Viver é o que todos nós fazemos. Viver feliz é uma extravagância que não consta do contrato.

Viver não é necessário. Viver é intoleravelmente inevitável.