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Um gato é sempre melhor que um arco-íris. Nada lhe deve em beleza, acomoda-se melhor num sofá, ou no colo, e tem a vantagem de saber miar.

Gostaria de ser um gato que tivesses acabado de recolher da rua e a quem, carinhosamente, estivesses agora perguntando se tem sido muito triste minha vida. Eu iria inventando histórias e mais histórias, para ouvir tua voz quente me consolando e sentir tuas mãos me afagando: meu gato, meu pobre gato, nunca vou deixar que te aconteça nada de ruim.

O gato já morreu há um ano, mas o seu lugar no sofá continua fundo, como se ele ainda o ocupasse. O homem sente falta dele quando cochila ali e, às vezes, ao acordar, em tardes de calor pleno, antes de abrir os olhos põe a mão instintivamente no espaço vago, e por um instante é como se o sol lhe tivesse devolvido o gato com o seu pelo morno e macio.

Me agradaria dar-te um gato. Quando vi, essa frase estava escrita no meu bloquinho, sem que eu me lembrasse de tê-la sentido passar pelo meu cérebro. Deve ter sido ditada, eu suponho, pelo meu coração. Uma ótima razão para eu mantê-la, mesmo com a possível transgressão do pronome oblíquo começando a frase. Me agradaria dar-te um gato. Não vou dizer nada mais. Preciso? Me agradaria dar-te um gato.

Amor, meu gato pequeno, quem pôde assim te matar? Que monstro pôde te dar vidro moído com veneno?

Solitária, esquecida pelo amor, acolheu um gato cinza. Foi há três meses. Chorou tanto sobre o gato que hoje ele é branco.

Toda vez que olho para um homem e para um gato, custa-me acreditar que Deus tenha escolhido o homem como semelhante.

Como seria bom se eu fosse um gato que tivesses recolhido na rua. Sempre que eu te arranhasse, ameaçarias jogar-me de volta para o frio e a fome. Eu te arranharia mais fracamente, então, e lamberia teus arranhões.

De longe, ela viu o gato. Estava estatelado na rua, amarrotado, despedaçado. Ela nem ia olhar. Estava na hora do almoço. Mas olhou, e o gato não era senão um ursinho de pelúcia. Ela deu graças a Deus, por ter olhos tão míopes.

Te mandei um beijo e um gato. Hás de perguntar: “Um gato! Mas por que foi que ele me mandou um gato?”  Espero que não perguntes por que te mandei o beijo.

Um gato sempre pode ser mais que um gato, se estiver disposto a se esforçar um pouquinho.

Se eu fosse um gato, gostaria de ter sido o melhor gato que você houvesse tido.

Hesitava entre mandar de presente à amada um gato ou uma quadrinha. Optou pelo gato, porque lhe pareceu pouco provável que, mesmo tendo um temperamento romântico, a amada beijasse uma folha de papel.

Convém que aceites a própria insignificância, sem celebrá-la nem tentar fazê-la parecer motivo de orgulho. Só conseguirás compaixão. Se queres atrair simpatia, arranja um gato.

Não chame de ração a comida que você põe para o seu gato. É antipática essa palavra: ração, como se o seu gato fosse um bicho.

Ver um gato dormindo é ter a ideia de como seria a felicidade, se ela existisse.