“E aí?”, perguntou a primeira garota.

“Aí ele sorriu pra mim.”

“Nossa. E aí?”

“Aí eu sorri pra ele.”

“E…?”

“E o quê?”

“O que aconteceu?”

“Ele sorriu pra mim.”

“Isso você já falou.”

“Eu falei do primeiro sorriso. Agora estou falando do segundo.”

“Aquele lindão sorriu duas vezes pra você?”

“Foi. E depois sorriu de novo, e disse tchau.”

“Ele sorriu pra você três vezes e disse tchau?”

“É.”

“Ele não fez mais nada?”

“O que ele podia fazer?”

“Sei lá. Alguma coisa, tipo abraçar, beijar.”

“Não, nada.”

“E você?”

“Eu?”

“Você não abraçou ele, não beijou? Não agarrou?”, perguntou a primeira garota.

“Não”, disse a outra.

A primeira resumiu sua decepção:

“Ah.”

Eu, que esperando o metrô na Saúde tinha ouvido o diálogo, quase expressei também minha decepção.

Chegou o vagão. Entramos os três. Elas se sentaram longe de mim e não pude mais ouvi-las, mas duvido que tenham achado assunto melhor.

É assim o amor, sempre excitante e instigante, mesmo que seja um desses amores que ficam só no ensaio, em três sorrisos trocados entre um garoto e uma garota tímidos que daqui a alguns anos se lastimarão por não ter havido um quarto sorriso e, depois dele, talvez um abraço e um, ou dois, ou três, ou quatro beijos com escala crescente de duração.