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Algumas situações nas quais essas duas palavras se mostram tão próximas que  é como se fossem uma somente.

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PAUTA

A poesia não há

de falar de bonitezas

de primaveras

de princesas

de rosas

de coisinhas mimosas

 

A poesia há de falar

de pestes

de pragas

das mil chagas do amor

que são de todas

as chagas mais preciosas.

 

SEM PERDÃO

Quem há de dar-nos a mão?

Como nós nos livraremos

Do amor que morto mantemos

Trancado em nosso porão?

 

REINADO

O amor há de registrar

tremores em todas as escalas

e se houver fronteiras

ignorá-las

e se houver barreiras

derrubá-las

 

O amor

deve submeter

deve subjugar

 

O amor

deve impor-se

seja como for

 

O amor deve reinar.

 

LINHAS

Os poemas de amor

deveriam ter uma linha só

eu te amo tanto

talvez mais uma

eu te amo demais

no máximo três mais

eu te amo mais

do que jamais

conseguirei dizer.

 

INVOCAÇÃO

Em prosa

em versos

em febre

em delírio

em desespero

em aflição

chamamos o amor

chamamos o amor

chamamos o amor

em vão.

 

TEMPO

Quando me vias, outrora,

Sorrias e me beijavas.

Bom não me veres agora.

Se tu me visses, choravas.

 

ONTEM

Para sentir de novo o prazer

de manhãs já quase apagadas

de tardes já quase desacreditadas

e de noites já quase esquecidas

o amor vai ver se as janelas

estão todas bem fechadas

e se põe a lamber

delicadamente as feridas.

 

HOJE

Melhor não saber de ti.

Fiquemos como acertamos

Quando nós nos separamos:

Morreste, e eu, também, morri.

 

PROGRAMAS

Há tantas coisas

melhores do que escrever

 

Nadar

passear

fazer alguma coisa

nada fazer

vadiar

espairecer

 

Pergunte a qualquer um

que não  seja escritor

 

Ele vai lhe dizer.

 

PATRIMÔNIO

Tudo que tenho

é velho

ou já morreu:

o amor

a esperança

eu.