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Algumas divagações de um homem que teve o cérebro afetado pela literatura e também pelas más companhias.

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ANTICASMURRICE

Se fosse uma história

de outro tempo

e de outra autoria

Capitu o Bentinho e o Escobar

num hotel ou num motelzinho receberia

para um poquerzinho

ou para um ménage à trois.

 

PIOR SEM ELE

Curitiba sem o Vampiro

É como revólver sem tiro.

 

UTILIDADE

Se vivo ainda estou

é por aquiescência

do amor minha excelência

 

Tantas mil vezes

à morte ele me sentenciou

quantas mil vezes me perdoou

 

Sei que nunca se arrependeu:

ninguém lhe beija as mãos

ninguém lhe lambe os pés como eu.

 

COTAÇÃO DO DIA

Só não me declarei morto, ainda, porque não confio na minha opinião.

 

O ÓBVIO

Morrer é simples:

é aquilo que ocorre

com quem morre.

 

ETAPAS

No caminho do silêncio

a concisão

é a penúltima estação.

 

ETERNIDADE

Nada de novo sob o sol:

todos os dias foram

e serão sempre um só.

 

SEGUNDA ÉPOCA

Um burro velho como eu

pode ainda aprender poesia

se até hoje não aprendeu?

 

CARAPUÇA

Os poetas somos assim:

abominamos quem a tem

mas construímos também

nossa torre de marfim.

 

ATUALIZAÇÃO

Não mais o ramo de oliveira.

O que a pomba hoje no bico nos traz

é uma bomba de fabricação caseira.

 

VÍTIMAS

Não há leitor que os mereça.

Depois dos versos sem pés,

Agora os faço também sem cabeça.

 

GUERRA

Comigo me desavim

com tamanha convicção

que ao sim me respondo não

e ao não me respondo sim.

 

ENJOADA

No aniversário dela

ele lhe deu uma lua nova.

Ela a apalpou,

avaliou

e rejeitou.

Ah, que magrinha,

eu queria aquela,

sabe? toda cheiinha.

 

DE CAVALEIRO E CAVALO

Quando se proclamou rei

não lhe deram um cavalo,

quando se disse vassalo

três rainhas vieram cavalgá-lo.

 

MURO

O poeta aponta para cima

e o sol esboça um arco-íris

com a poética urina.

 

ETIQUETA

Favores sexuais devem ser retribuídos rápida e generosamente.