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+ Um chato nunca passa pela nossa vida com a rapidez desejável.

+ O chato está sempre disposto a reconhecer os erros alheios e a apontá-los – de preferência em público.

+ O poeta chato tem sempre um cisne a mais no soneto.

+ O chato nunca se faz notar pela ausência.

+ Todos já foram embora há duas horas e meia, mas o chato, que nem parente é, continua a beber nosso uísque, sob o argumento de que a noite ainda é uma criança.

+ É um aprendiz de chato o menino que, vendo o coelho sair da cartola, acusa o mágico: “É truque!”

+ O chato que pretende passar por erudito menciona o Padre Vieira como se tivesse sido batizado por ele.

+ O mais desanimador, num chato sonetista, é que ele nunca se emenda.

+ Se não houvesse chatice, um chato já a teria inventado.

+ Um chato jamais se esquece do nosso telefone, do nosso endereço e do nosso aniversário.

+ Quando o chato vai embora, nós nos arrependemos de não ter mandado um abraço àquela senhora que o abrigou nove meses no ventre.

+ O chato sabe se Romeu era Montecchio ou Capuleto.

+ O chato nos vem dizendo há anos, sem nenhum arrependimento, que mata um leão por dia.

+ Mesmo nas reuniões de condomínio, o chato empolado, antes de tratar dos assuntos da pauta, faz uma saudação às autoridades civis, militares e eclesiásticas.

+ O chato desmemoriado é o que nos chama hoje de Lucas e amanhã de Lúcio, e nas duas vezes nos toma dinheiro emprestado.

+ Se um chato nos diz que é nosso parente, é bom concordar logo, antes que ele comece a provar.

+ Um chato consciente do seu dever sabe o nome de todos os afluentes do Amazonas.

+ As novidades que o chato tem para nos contar costumam ser da década de 1980 ou antes. Quantas vezes ele nos tentou informar sobre a renúncia do Jânio?