Pois é, estamos já na contagem regressiva (essa tortura que antecede todos os grandes acontecimentos) e agora parece que não tem mais jeito. A Copa já espreita ali, numa esquina do que se chama de Itaquerão ou de Arena Corinthians, conforme a cotação do dia, e nos espera com uma frase antiga, que até hoje é capaz de nos arrepiar: decifra-me ou eu te devoro. É a Copa mais escorregadia de que se tem notícia. Não se sabe que pito vai tocar. De zero a dez, tudo é possível. Quem aposta no quê?
Tem hora que ela se faz de difícil e diz que, se lhe der na telha, pode nem aparecer no dia 12. Depois corrige: foi só uma brincadeirinha, e ela estará bela e formosa em todas as arenas, como uma daquelas misses do século passado que cumpriam o contrato até o fim, mesmo que esporadicamente faltassem Fanta Uva ou Biscoitos Aymoré no camarim. Bom, só dia 12, mesmo, saberemos.
Até lá teremos tempo de escolher de que lado estaremos. Afinal, gostaremos da Copa ou não? Analisando por mim, não sei: mudo de opinião a cada instante. Ora amo a Copa, ora me dá vontade de mandar que ela vá procurar sua turma (se ela acha o Wälcke e o Blatter simpáticos é problema meu?) Penso nisto: se alguém ou algo, como um polvo ou um burrico adivinhão, pudessem garantir que ganharemos, melhoraria muito a nossa disposição.
Mas, e se essa Copa estiver mal-intencionada? Será que vale a pena enfeitar as ruas, gastar em fogos, em bandeiras, em cornetas? Entre os céticos e os patrioteiros há um debate que já foi para a prorrogação, os pênaltis, e nada de se resolver. Parece que vai ser decidido na moedinha. E as caxirolas? Vão valer ou não? Com quantas caxirolas se fazem mil decibéis? Alô, Inmetro. Ei, ISO, onde está você?
Quando até o futebol entra no campo das complexidades, os neurônios ficam em pânico. Daí à metafísica pode não haver mais que um passo. Oh, céus, oh, dia. O melhor, mesmo, é deixar despencar a contagem: 9, 8, 7, 6…
Que venha a Copa e que resistamos a ela – e ela resista a nós.