Não existe verdadeiro aprendizado sem a formação da faculdade superior da inteligência.

E o desenvolvimento da inteligência é muito mais do que o desenvolvimento de suas ferramentas como a lógica, a memória, o raciocínio matemático e a concentração, que são apenas operações parciais.

A inteligência é o poder de conhecer a verdade, o real, é saber tomar decisões acertadas com a ajuda da consciência moral, ou seja, de uma hierarquia de valores bem formada.

Em uma época que tudo converge para destruir e deturpar o valor da consciência, educar a inteligência de maneira completa torna-se fundamental para que as crianças consigam aprender a discernir entre o bem e o mal, o belo e o feio e a tomar boas decisões.

Uma das maneiras para se formar o discernimento é organizar o saber. Por isso, na Escola AeD, é aplicado um programa de inteligência, que cria e multiplica “prateleiras” ou categorias lógicas no cérebro que são necessárias para que os novos conteúdos possam “se fixar” e fazerem sentido.

Ao mesmo tempo, o programa dos bits de inteligência ajuda as crianças a discernir o importante do irrelevante, ou seja, construírem critérios, sem os quais o raciocínio nada conseguirá fazer senão dar voltas em cima de equívocos e fatos irrelevantes.

Grande parte das pessoas nunca chega ao núcleo das realidades e, muito menos, na de sua vida.

Outra maneira para as escolas desenvolverem nas crianças o discernimento, é garantirem um ambiente de coerência moral e de unidade de critérios que proteja suas consciências, principalmente nos primeiros anos de vida.

Pois as influências negativas nos vários ambientes podem gerar uma gradativa dessensibilização das crianças e deturpação de sua consciência moral.

À medida que ocorre essa dessensibilização, elas podem ficar mais sensíveis e exageradamente suscetíveis. Sentem-se cada vez mais incomodadas por qualquer coisa que se oponha a seus “caprichos”. Dessa forma, pequenas frustrações tomam proporções gigantescas e as verdadeiras questões fundamentais para sua felicidade são ignoradas.

A criança vai ficando menos inteligente e mais angustiada e insatisfeita. Tudo vira motivo de reclamação e insatisfação. Não captam mais a beleza e simplicidade das realidades para viverem a infância de maneira alegre e plena.

Nesse processo, as capacidades intelectuais menores, como o raciocínio lógico e matemático, não são afetadas, mas a inteligência em si, que deve captar o sentido real, a beleza e a essência das pessoas e do ambiente, pode acabar sendo totalmente destruída.

Outra consequência trágica da diminuição da consciência moral é que gradativamente as crianças tendem a começar a justificar tudo o que é errado para diminuir sua angústia e abafar seus conflitos internos de consciência.

A vivência com adultos, a quem respeitam e amam e que, ao mesmo tempo, tenham e comuniquem ideias e princípios errados, também impõe essa gradativa confusão e distorção na formação de sua consciência, pois justamente pessoas vistas como heroínas e “do bem” fazem coisas ruins. Outro fenômeno que pode acontecer é as crianças acabarem usando “máscaras” para corresponderem às expectativas superficiais das pessoas que formam o ambiente. Então, por exemplo, adquirem uma mochila caríssima de determinada marca valorizada pelo grupo, mesmo que essa não corresponda a um desejo pessoal de consumo. Fica mais difícil para que se conheçam, pois acabam se confundindo com as máscaras e papéis que foram tendo que desempenhar no palco humano. **

Então, mais tarde, por mais alta posição que ocupem, serão facilmente manipuláveis. Pois em escolas sem referenciais morais coerentes e vividos por todas as pessoas, as crianças podem perder sua capacidade de hierarquizar os valores. O mesmo se aplica se há incompatibilidade entre o ambiente escolar e o familiar.

Esta consiste, justamente, em apresentar dois códigos morais, mutuamente opostos, ao mesmo tempo como igualmente certos.

Como por exemplo um professor de literatura admirado por sua conduta, que, contraditoriamente, recomenda um livro de conteúdo com valores distorcidos.

A dificuldade também é que o desenvolvimento da capacidade de julgamento não se reduz a uma lista de regras e atitudes, mas é desenvolvida através da busca do aperfeiçoamento pessoal, e principalmente, através do exemplo das pessoas com as quais se convive.
Nossa tendência é ser a média das pessoas com as quais mais convivemos. Daí a importância suma de escolhermos ambientes de valores para nossos filhos nos primeiros anos de vida.

Longe de desmotivar, essas considerações podem ser usadas para pais e escolas trabalharem em parceria rumo à excelência moral e consequente desenvolvimento da inteligência como um todo.

** segundo o autor do Livro: Vidas Sinceras – Rafael LLano Cifuentes

Curta a nossa Fanopage: www.facebook.com/educarparafelicidade