A comida deixou de ser o centro das atenções e agora dá lugar a uma série de fatores que contam para uma experiência inesquecível (Foto: OTRO/Divulgação)

E aí, beleza?

Se você já está com fome de novidades, sede de viajar e doido pra cair no mundo novamente, então essa dica é pra você.

Setembro marca a chamada ‘rentrée’, o recomeço das atividades na Europa após as férias de verão. Recentemente, Portugal liberou a entrada de turistas brasileiros, que estavam impedidos de fazer viagens não essenciais ao país desde março de 2020. Portugal também acabou com a quarentena obrigatória (ao menos por enquanto) e não está exigindo que os visitantes estejam vacinados. É preciso, no entanto, apresentar um teste negativo para a Covid-19 na hora do embarque e na chegada.

Se você está de malas prontas, saiba que existe agora uma outra Lisboa a explorar, onde é possível experimentar a cena pós-retomada da capital em grande estilo. Impedidos de funcionar durante grande parte do surto de Covid-19, os restaurantes e cafés formam um dos setores mais beneficiados pela atual etapa de desconfinamento. Com as discotecas ainda fechadas, é graças a eles que partes distintas da cidade voltam a ter vida – e sabor.

Contudo, a comida deixou de ser o centro das atenções e agora dá lugar a uma série de fatores que contam para uma experiência inesquecível. Aromas, cores, sabores, texturas… trabalhar com as sensações é condição obrigatória para fisgar o cliente não só pelo estômago, mas também pelas emoções.

Conheça três espaços em Lisboa que vale a pena uma visita:

Com uma aposta na aromaterapia, o OTRO é perfumado com um aroma desenvolvido exclusivamente para o local (Foto: Divulgação)

OTRO Restaurante

Aqui, saber alinhar todos os conceitos e conjugar comida portuguesa de autor com um certo twist pode ser, quiçá, a receita para um bom ponto de partida. Com a assinatura do chef Vítor Sobral – que também tem espaços no Brasil –, em parceria com o empresário Hugo Banha – com negócios no segmento de luxo, tais como loja de perfumes de nicho à ateliê de arquitetura e design de interiores – surgiu um projeto singular, requintado e como boa comida, como era de se esperar.

Embalado pelas escolhas musicais meticulosamente selecionadas mensalmente por um DJ convidado, os almoços ou jantares prometem algumas surpresas que fogem do lugar-comum. Uma das premissas do espaço é a proposta em estimular todos os sentidos, especialmente o olfato. Com uma aposta na aromaterapia, o restaurante é perfumado com um aroma desenvolvido exclusivamente para o local; nos banheiros, há uma seleção de perfumes disponível para o cliente experimentar. Só não vale levar pra casa… ou melhor, há sim a possibilidade de comprar um destes perfumes e recebê-lo à mesa, com direito à performance dos funcionários, que fazem chegar o perfume escolhido numa cúpula envolta num dramático espetáculo de fumaça.

Para não dizer que não falei da comida, no OTRO, o menu é enriquecido com os melhores sabores de Portugal, mas é também uma viagem pelos sabores que a nação lusa semeou pelo mundo. Tanto é possível encontrar alguns dos pratos e sabores mais tradicionais portugueses, em que o bacalhau terá particular destaque, como poderá provar gastronomia do mundo, como carnes, massas, risotos e frutos do mar. A carta de vinhos e de bebidas também foi cuidadosamente selecionada, com boas referências nacionais e internacionais. Referências como Pêra-Manca ou o champanhe Armand de Brignac Gold Brut integram a vasta gama de opções.

Vista panorâmica sempre deslumbrante por onde quer que se olhe (Foto: Suba/Divulgação)

Suba

Subi e vede, como a comida é boa e a vista é espetacular. Seu nome poderia facilmente ser ‘Vista’, pela visão panorâmica sempre deslumbrante por onde quer que se olhe, um dos acompanhamentos perfeitos para as propostas criativas do chef Fábio Alves.

Este espaço no último andar do hotel Verride Palácio Santa Catarina reabriu recentemente ao público, depois de um período fechado, em decorrência da pandemia, com novos menus de degustação inspirados numa cozinha de memória e no melhor da terra e do mar, além de um novo menu vegetariano.

A boa mesa, aqui, é feita por meio de uma cozinha criativa, ousada na técnica e memorável no paladar. O serviço de sala traz mais interação com o cliente, com a finalização de mais pratos na mesa, o que oferece uma experiência mais envolvente e valorizada por quem visita o Suba. Um show de cores, sabores, texturas e magia… eis que surge uma espécie de equipamento de laboratório químico com fogo embaixo e dashi (caldo de peixe) que quando ferve, é vertido sobre lulas. De se destacar também o mil-folhas de foie gras e pera bêbada, mousse salgada de vinho do porto e torresmos de aves, ou ainda o ouriço do mar (uma iguaria clássica da culinária portuguesa) e o black angus curado.

Para terminar a refeição em beleza, as criações do chef são várias, e sempre surpreendentes, como a emblemática esfera de chocolate banhada a ouro, favo de cacau e frutos vermelhos. No fundo, o menu do Suba é a conjunção dos quatro elementos (ar, água, fogo e terra), sendo que a sua quintessência é a vista.

Museu da Cerveja

Cultura, gastronomia e uma viagem pelo sabor das cervejas portuguesas. Aberto ao público em 2012, o Museu da Cerveja é um verdadeiro roteiro cervejeiro de todas as regiões de Portugal, numa das maiores praças da Europa – o Terreiro do Paço, em Lisboa. Se você é amante de cervejas artesanais, então vai adorar este restaurante que não passa despercebido na Baixa da cidade, com o Tejo como pano de fundo.

O Museu da Cerveja é simultaneamente um espaço para desfrutar do melhor que a gastronomia portuguesa tem para oferecer e um museu, que apresenta de forma lúdica e criativa a história da cerveja, exibindo orgulhosamente o legado português no mundo ao celebrar as mais de 100 cervejas produzidas nas várias regiões do país.

E porque aqui se celebra a cerveja, a bebida alcoólica mais antiga, mais popular e mais consumida em todo o mundo, como um hino aos seus saberes e sabores, esta bebida é homenageada num imponente altar construído com copos de design exclusivo (gravados com as bandeiras dos 192 países do mundo), da autoria de um dos mais prestigiados artistas plásticos portugueses do século XX – Júlio Pomar – que assina também “Contos Murais”, um painel de azulejos que dá as boas-vindas aos visitantes, nos seus mais de dez metros de comprimento.

A essa altura você já deve estar se perguntando sobre a comida, mas aqui, ela acaba sendo uma mera coadjuvante – mas igualmente incrível – entre tantos outros elementos que tornam este restaurante único, assim como o famoso pastel (bolinho) de bacalhau recheado com queijo da Serra da Estrela. Uma tentação e uma experiência imperdível, que lhe oferece Lisboa em todo o seu esplendor e onde o tempo parece parar.