Quinta de Lemos, na região do Dão, considerada a Borgonha portuguesa (Foto: Divulgação)

E aí, beleza?

Quantas vezes você já sentiu vontade de “se deixar ir”, sair sem rumo, livre, em busca da tão desejada paz de espírito, do equilíbrio emocional e de renovar forças para a vida? Sábia Liz Gilbert, que no romance Comer, Rezar e Amar decide sair sem rumo, numa viagem de autodescoberta pelo mundo. Mas, que tal fazer uma viagem semelhante, aqui do outro lado do Atlântico, em Portugal, país que está cada vez mais na moda?

Quando pensamos em Portugal, uma das conexões mais frequentes são as suas belíssimas paisagens, comida incrível e vinhos que dispensam apresentação. Fato! E por isso mesmo, deixo aqui algumas dicas de experiências de bem-estar que giram em torno da boa cama, boa mesa e experiências únicas.

Essa viagem sensorial começa no Dão, situado no centro de Portugal, na província da Beira Alta. Considerada a Borgonha portuguesa, foi a primeira região demarcada de vinhos não licorosos do país. É ai que está uma das mais belas quintas do país, produtora de vinhos premiados, além de um belíssimo edifício que abriga um restaurante Michelin.

Quinta de Lemos, em Viseu (Foto: Divulgação)

Quinta de Lemos (Viseu)

É o segredo mais bem guardado do Dão. Esta Quinta ‘secreta’ em Passos de Silgueiros (Viseu) tem quartos de luxo onde recebe convidados, clientes e amigos da família, apesar de não ser um hotel aberto ao público (ainda) – mas poderia. Lá, produzem-se vinhos de qualidade excepcional e que não são muito conhecidos do grande público, uma vez que não estão disponíveis em supermercados – apenas em adegas e restaurantes selecionados. A propriedade, por si só, é um cartão de visita autêntico cujo objetivo é “mostrar o que Portugal tem de melhor”.

O edifício principal, onde se tem os alojamentos e o restaurante, é totalmente integrado na rocha, que tem como quintal a vinha. O espaço chegou em 2014 à shortlist dos prêmios internacionais do ArchDaily, um dos mais prestigiados sites de arquitetura do mundo. Magnífico!

À frente do projeto está Celso Lemos, um homem excêntrico e à frente do seu tempo. Também detém uma marca de produtos têxteis chamada Abyss & Habidecor – cuja fábrica fica próxima da propriedade –, conhecida por produzir algumas das melhores toalhas e tecidos do mundo (vendidas em lojas como Harrod’s ou Bloomingdale’s).

A Quinta de Lemos tem ao todo 50 hectares, dos quais 25 hectares com vinhas, que dão origem aos vinhos da casa, e 3 hectares com oliveiras, além de colmeias para produção de mel. Mas a melhor descoberta para harmonizar com os vinhos de excelência é, sem dúvida, o restaurante instalado no edifício principal, premiado com uma estrela Michelin.

Restaurante Mesa de Lemos, com uma estrela Michelin (Foto: Divulgação)

Onde comer: Mesa de Lemos

Ao seu comando, o chef Diogo Rocha se esmera para apresentar uma proposta diferenciada, em que a portugalidade seja a sua maior identidade. Na sua cozinha, produtos frescos e sazonais, locais e regionais. Em perfeita harmonia com a natureza, o Mesa de Lemos oferece aos seus clientes uma viagem gastronômica, convertendo a essência dos ingredientes portugueses em pratos puros, simples e deliciosos. Qualidade e criatividade são uma constante nos pratos; estão disponíveis dois menus degustação (de cinco ou sete momentos) e todos eles passíveis de harmonização com os vinhos produzidos na Quinta. Imperdível!

Casa da Calçada Relais & Châteaux, em Amarante (Foto: Divulgação)

Casa da Calçada (Amarante)

Entre o Porto e o Vale do Douro, está estrategicamente localizada essa cidade romântica de traços barrocos, que sabe receber e maravilhar quem a visita, com o rio Tâmega aos pés, refletindo o verde da serra; é espelho da herança cultural e do patrimônio ambiental desta região. Reza a lenda que Amarante é uma cidade dedicada ao amor e quem a visita está propenso a encontrar a sua alma-gêmea – basta pedir com fé ao santo padroeiro da cidade, São Gonçalo de Amarante.

Lá, entre um passado repleto de história e o nascer de um novo mundo, encontramos a Casa da Calçada Relais & Châteaux, um palácio do século XVI que proporciona aos seus hóspedes uma experiência (su)real. Os quartos intemporais, os amplos jardins, as deslumbrantes vinhas, um restaurante que proporciona uma experiência gastronômica única, e a simpatia de quem recebe de braços abertos, caracterizam este palácio.

Construído para ser um dos principais palácios do Conde de Redondo, o edifício viaja na história de Portugal e da Europa. Durante as invasões francesas, lá se instalaram os comandos aliados de Portugal e Inglaterra.

Em 2001 a propriedade foi completamente recuperada e transformada num hotel deslumbrante. A Casa da Calçada é hoje uma referência incontornável da oferta de hotelaria do norte de Portugal. um ambiente familiar, em que os hóspedes regressam temporariamente ao passado.

Restaurante Largo do Paço, com uma estrela Michelin (Foto: Divulgação)

Onde comer: Restaurante Largo do Paço

O chef Tiago Bonito lidera essa cozinha criativa e autêntica, criando uma experiência gastronômica sensorial e inesquecível, onde não há prazeres proibidos. A sua cozinha mediterrânica, de raiz portuguesa, mistura a tradição e a transgressão em doses iguais e é completada por um serviço acolhedor, simpático e sofisticado. Suas criações enaltecem os produtos sazonais numa cozinha de autor contemporânea.

Distinguido com uma estrela Michelin, é a proposta ideal para sair dos grandes centros urbanos e rumar à tranquilidade do norte do país. Os pratos são inspirados na cozinha tradicional portuguesa, trabalhados com técnicas e soluções contemporâneas e arrojadas, que resultam em refeições surpreendentes. O Largo do Paço disponibiliza os menus de degustação Caminhos e Identidade, bem como o serviço à carta. Não saia de lá sem comer o incrível brioche feito de massa mãe, trazida pelo chef do Brasil. É de comer rezando!

Dirk Niepoort nas caves da Quinta de Nápoles (Foto: Divulgação)

Quinta de Nápoles, Vinhos Niepoort (Pinhão)

Essa é uma parada obrigatória quando o assunto é vinhos do Porto. A Niepoort iniciou suas atividades no setor do vinho do Porto em 1842 e apenas em 1987 começou a produzir vinhos das suas próprias uvas, em resultado da aquisição da Quinta de Nápoles.

Hoje, no comando da marca, encontramos Dirk Niepoort (56 anos), uma pessoa à frente do seu tempo e que descobriu o mundo dos vinhos durante seus estudos na Suíça. Em 1987, Dirk juntou-se ao seu pai, Rolf Niepoort, na empresa familiar e foi desafiado a inovar, mantendo as boas tradições. O primeiro e importante passo foi a aquisição de vinhas próprias: a Quinta de Nápoles e a Quinta do Carril, no Cima Corgo, uma região que tradicionalmente é conhecida por produzir os melhores vinhos do Porto.

Totalmente integrado na paisagem idílica do Douro, há enorme edifício onde se encontra a adega subterrânea; a primeira ideia foi construir um edifício invisível. A adega está situada no cimo de uma encosta sobranceira ao rio e oferece uma magnífica vista sobre o vale. Para inserir a adega na paisagem, a parte principal do edifício está num plano subterrâneo, e as paredes exteriores foram revestidas com pedra natural (xisto), que é o material tradicional (local) para as paredes de retenção dos terraços. O conceito é muito minimalista: o mínimo possível de materiais, o mínimo possível de detalhes.

Vinho do Porto Niepoort em garrafa Lalique (Foto: Divulgação)

Hoje, a missão da Niepoort é manter o seu posicionamento de “nicho”, dando continuidade à produção de distintos vinhos do Porto e do Douro, conjugando a tradição secular com a inovação. Só para que conste, a garrafa de vinho do Porto mais cara do mundo é da Casa Niepoort: um Porto de 1863, com garrafa em cristal Lalique, que foi vendido num leilão Hong Kong pela bagatela de 111.236 euros.

Restaurante DOC by chef Rui Paula (Foto: Divulgação)

Onde Comer: DOC – Rui Paula

A poucos quilômetros da propriedade, fica este que é considerado um dos melhores restaurantes do norte de Portugal e onde “a memória é a principal fonte de inspiração” do renomado chef Rui Paula. Memória de aromas e sabores que se recriam em novas combinações perfeitas para se chegar, de uma outra forma, às emoções gustativas que guardamos na lembrança.

No DOC, a gastronomia tem uma raiz emocional, um vínculo ao contexto cultural do Alto-Douro e o Douro litoral. Lá faz-se uma cozinha etno-emocional, sem limites geográficos à criação e à influência, mas muito ligada às raízes culturais de Rui Paula. As preferências aos produtos regionais e sazonais não limitam-se àquilo que a terra dá.. Privilegia-se o uso de vegetais frescos, azeite virgem extra, leguminosas, laticínios, peixe do mar e carne. Apenas uma preocupação: preservar o sabor genuíno do produto.

A tecnologia e as técnicas de cocção estão completamente ao serviço da emoção: no DOC cria-se para criar prazer. É sem dúvida uma experiência sensorial e cultural, em que o ambiente do restaurante e seu contexto paisagístico desempenham um importante papel na gastronomia. E se cada prato deve evocar todos os sentido, então aqui come-se com olhos, uma comida de conforto e autêntica, para guardar na memória e no coração.