A Copa é a régua do tempo. A ampulheta virada e a areia descendo. É o “eu tô ficando velho, porra”. O hino da nostalgia. O drible que a vida vai dando e nos deixando no chão – na marca do pênalti.
É a vida pulando amarelinha, de quatro em quatro anos. Eu não sou mais o cara da Copa passada, nem da retrasada, nem de qualquer uma que tenha ficado pra trás. Ainda não sou o cara da Copa do Qatar.
Todo dia é uma final diferente. Todo dia é uma bola dividida. Sonho com prorrogações intermináveis.
Qual vai ser a minha última Copa? Aquela que vou assistir velhinho e sem distinguir os times? Aquela que vai ser, pra mim, uma questão de honra. Aquela em que estarei mais confuso do que o Coronel Nunes na hora do voto. Aquela do “não desliguem os aparelhos”!
E deve ser triste ir embora… tem tanta comida pra experimentar, país pra visitar e Copa pra assistir. Copa pra assistir, gente! Quantas mais?