Amigos, a atualização desse blog está difícil. A eleição está corroendo o meu tempo como uma ratazana faminta. Hoje, então, resolvi publicar esse texto que fiz para acompanhar as fotos de Tiago Queiroz sobre “o outro lado” das convenções partidárias.

As fotos e uma versão menos soltinha desse texto foi publicada na edição de domingo. A galeria completa dessas fotos você encontra no link no final desse post.

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Pouco importa o partido ou o nome do “escolhido” a ser entronizado no salão. Uma convenção não é isso. Ela é feita do resto.

O resto, aqui, não quer soar pejorativo. Fosse essa intenção, a palavra seria claque.

O resto é o todo. Ele contém a claque (claro), o parente do aspirante a político, o vizinho do aspirante a político, o funcionário do político, o aspirante a funcionário de político, os figurantes, os distraídos, os espertos, os eleitores…

O resto vem de ônibus, entra na fila do lanche, quer tirar uma selfie bacana, usa o adesivo, a camiseta (que ainda vai virar pijama), o bonezinho, carrega a criança no colo, segura bandeira, sacode a poeira e canta um jingle que acabou de decorar.

Uma convenção é a teatralização da esperança.

Todo mundo precisa parecer satisfeito, confiante e, principalmente, militante.

O militante também é o resto.

Mas de perto, eles parecem cansados. É muito tempo de pé, muito tempo batendo palma, muito talento pra ouvir blá, blá, blá, muito cartão, telefone e WhatsApp para trocar.

“Me liga amanhã”, “pede pra ele me procurar”, “vamos ver o que dá pra fazer”, “semana que vem volto de viagem”, “me passa uma mensagem”…

Frases que ecoam mesmo depois que o “escolhido” sai de cena e a quermesse acaba.

O resto vai embora.

O resto fica a esperar.

Aqui as fotos de Tiago Queiroz sobre as convenções e todo o resto:

https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,veja-personagens-singulares-nas-convencoes-partidarias-das-eleicoes-2018,70002432814.amp