Eu quero ver a Copa da minha infância.
A Copa de picar papel jornal, juntá-los em uma bacia verde e atirá-los pela janela a cada gol. Sem nenhuma consciência dos malefícios do papel picado ou do simples fato de que alguém teria que limpá-los tão logo o jogo acabasse.
Eu não sabia, mas ali já chovia notícias picadas de um jornal que um dia eu viria a trabalhar.
Ainda penso que em algum lugar vai ter um menino picando a notícia que eu escrevi ontem. E  comemorando um gol do Neymar com aquelas “aspas” que me custaram tantos telefonemas e amolações.
Eu quero ver a Copa da minha infância.
A Copa da rua pintada: do periquito tosco, da laranja sorridente, do mexicano de sombreiro e da bandeira amarela que significava festa é só.
A Copa do gol do Josimar. A Copa do pênalti do Zico. A Copa que ninguém segurou o argentino. A Copa em que a bola bateu nas costas do goleiro Carlos – e entrou. A Copa do Ribeiro – torcedor que só tinha um dente e que a câmera insistia em focalizar. A Copa em que a figurinha vinha revestindo o chiclete (Ping-Pong ou Ploc). A Copa da tabelinha do posto de gasolina. A Copa do Araken, o Showman e do Zé da Galera gritando no orelhão: “Bota ponta, Tele!”
A Copa da minha infância, acho, acontecia sempre num país imaginário. Tipo agora. Tipo na Rússia – que pra mim é mais imaginação do que território. Que a mais aula de história do que bola na rede.