mawel/Creative Commons

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Ella passa na rua onde Elle mora. Passa há anos, há meses, mas faz só alguns dias que descobriu que Elle mora lá.

Ainda não tem certeza sobre qual casa é se mora no fim ou no inicio da rua. Mas sabe de um café, que fica na mesma e pensa em convidá-lo, qualquer dia, para uma conversa.

Outras vezes pensa em passar por ali, em horários diferentes para ver se o encontra e assim iniciam uma conversa.

Ella imagina mil coisas (malucas). Pensa em sair apertando as campainhas e perguntar aos vizinhos sobre Elle. Mas nem sabe direito seu nome, sobrenome então? Como sair, descrevendo um sorriso e um olhar para todos os moradores daquela rua?

Mal se lembra de sua voz, a ouviu num momento raro e tão rápido, que não consegue se lembrar o tom, o jeito, o som. Mas o fantasia, dizendo coisas que Ella adoraria ouvir.

Então é sábado. E Ella esta animada. Anda pelo bairro, cantarola, balança as sacolinhas de compras, enquanto ouve músicas no seu celular, bem alto. E de repente, percebe que está na rua onde Elle mora. Sorri e balbucia ‘se esta rua, se esta rua fosse minha…’. Olha pro céu e sorri sozinha. Mais 10 passos e passa em frente ao café, segue sorrindo.

Elle dobra a esquina. Está ocupado falando ao celular. Checa alguns papéis que estão em suas mãos, nem olha direito na hora de atravessar a rua.

Agora estão na mesma calçada. Ella o vê primeiro, respira fundo, pára a música e pensa em convidá-lo para tomar um café, que está ali a alguns passos dos dois.
Elle está próximo dElla, mas ainda não a notou. Continua falando em seu celular, olhando os papéis. Deixa cair alguns no chão, rapidamente os recolhe. Guarda-os em seu bolso esquerdo da calça jeans
Em seguida bate as mãos no bolso direito, encontra suas chaves.

Ella está parada, esperando que Elle se aproxime e assim convidá-lo para um café.
Elle passa por ella. A vê e olha profundamente em seus olhos, enquanto fala ao celular.
Mas segue adiante.
Abre o portão de sua casa, entra e fecha-o atrás de si, sem desligar o celular.

A casa é uma das que Ella havia imaginado ser, a poucos passos do café. Onde gostaria de tê-lo convidado para entrar e conversar.

Ella sabe a rua, sabe a casa, sabe em que horas do sábado Elle estará lá.
Mas não tocar a campainha.
Não quer perguntar nada aos vizinhos e talvez nem queira mais passar por lá.

Por que tudo que Ella realmente quer, não é ser convidada a entrar em sua casa. Mas sim em sua vida e em seu coração.

Novas crônicas toda quarta-feira.

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