Foto: Katia Juliana

Foto: Katia Juliana

Ella sabia que Elle viria e que chegaria a qualquer momento.

Todos diziam que tudo mudaria. Sua casa, seus costumes, seu olhar sobre o mundo.

Enfim tudo.

Mas Ella achou que não, que as mudanças seriam leves, que todos estavam exagerando.

Então Elle nasceu.
Ella soube por telefone. Entre risos e lágrimas, agradeceu a Deus por ter vindo perfeito, com saúde e bons pulmões. Afinal, de fora do berçário, dava pra ouvir seu grito e choro. Elle nasceu!

Ansiedade. Horas que não passavam nunca. Ella só queria vê-lo, pegá-lo em seu colo. Enfim a tarde caiu e Ella pôde ir até o hospital.

Quando entrou no quarto, viu sua cunhada deitada e o pequeno ‘berço’ de hospital ao seu lado.
Elle estava deitado e com o rosto coberto, claro! Era Julho, estava muito frio e Elle tinha apenas 9h de nascido.
Ella disse poucas palavras e pediu para vê-lo e segurá-lo no colo.
Ella jamais vai esquecer, quando o viu pela primeira vez. Ainda deitado, virando lentamente para o lado dElla. Seu rostinho era muito familiar. Parecia que já o tinha visto antes. Mas, como?
Ella ria, mas seus olhos se enchiam de lágrimas, era uma grande felicidade que a invadia.

Dias depois Elle estava em casa. E Ella encontrou a canção perfeita e colocou pra Elle ouvir.

E sim, tudo mudou!

A família toda mudou. O tom de voz, as palavras, os atos, tudo que faziam, era com mais amor e delicadeza que antes. Tudo tinha um ar diferente.

O choro era motivo de preocupação. E de repente haviam cinco pessoas em sua volta. Só pra saber o por que Elle estava chorando.
O riso atraía muito mais olhares. Elle definitivamente era a alegria da família e da casa.

Era uma onda de coisas boas acontecendo.
E quando Elle estava presente, era como se houvesse, vindo do nada, um imenso arco-íris no meio da sala! Iluminando com cores incríveis. Fazendo-os sorrir. Desejando e criando um mundo melhor só pra Elle.

Cada um, aos poucos lembrava-se de canções e brincadeiras já esquecidas. Era como se todos, naquele instante, voltassem a ser crianças junto com Elle. E que isto iluminasse, mais que o Sol em dia de chuva.

Ella não se importa pelas noites mal dormidas, ‘dançando’ com Elle no quarto até fazê-lo dormir.
Não importa que o filme de 3h, se tornou de 5h, por causa das pausas. Enquanto Elle dormia inquieto ao seu lado.
Não importa as brincadeiras ‘paga-mico’ e as musicas que desafinadamente cantou, sem se tocar.
Nem as trocas fraldas e os deliciosos banhos.
Nada importa, se no final de tudo Elle a olha e sorri ou dorme tranqüilo.

O que realmente importa é saber que Elle existe e sua luz faz a vida dElla e de todos que estão por perto brilhar, com um simples olhar.

***Crônica especialmente escrita em homenagem ao meu único sobrinho-afilhado Gabriel, para o dia do seu aniversário 18/07.

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