Falaremos no boletim Ideias no Ar da Rádio Estadão sobre boas e más notícias.

A complexidade das nossas relações humanas, sejam pessoais, profissionais e até familiares, faz com que na maioria das vezes os fatos não tenham só um lado – quase sempre há um lado positivo e um negativo na história.

Quando temos que transmitir essa situação para alguém, o que é melhor falar primeiro, a boa ou a má notícia?
Depende do lado em que estamos. Quem está falando normalmente se sente melhor ressaltando antes a parte boa da história, adiando entrar no problema. Só que isso é aflitivo para quem ouve, pois a ansiedade aumenta à medida em sabemos que tem um lado ruim na história; quando estamos recebendo a notícia, queremos ouvir logo pior parte.

Mas depende também do que se espera daquela informação. Se o objetivo é promover mudanças de comportamento é mais eficaz deixar a má notícia para o final – um médico que deseja que o paciente coma melhor ou faça exercícios, por exemplo, pode dizer que aquela doença tem tratamento, mas se ele não cumprir a prescrição a tendência é piorar. Ou o chefe que precisa que um funcionário se esforce mais, pode iniciar ressaltando o seu potencial, mas lembrando que os resultados ainda estão ruins. Nesses casos falar o lado bom no final pode reduzir a percepção da dimensão real do problema, reduzindo a eficácia na mudança necessária.

É bom saber dessa notícia antes de ter que dar a próxima.

ResearchBlogging.org
Angela M. Legg, & Kate Sweeny (2013). Do You Want the Good News or the Bad News First? The Nature and Consequences of News Order Preferences Pers Soc Psychol Bull DOI: 10.1177/0146167213509113