A pandemia gerou um monte de polêmicas, mas uma coisa parece ser consenso: as pessoas redescobriram suas casas e suas famílias. De jardinagem a comunicação não-violenta, de organização doméstica a clube de vinhos, tudo o que ajudava a viver melhor em casa foi valorizado. Um dos segmentos que também lucrou com isso foi o de jogos de tabuleiro: segundo reportagem do Deutsche Welle o mercado cresceu globalmente cerca de 20%, resultado muito melhor do que o do grupo de brinquedos em geral.

Os motivos são óbvios: com mais tempo em casa as pessoas precisam encontrar coisas para passar o tempo juntas depois de maratonar séries, realizar as tarefas domésticas, trabalhar, discutir e fazer as pazes num ciclo contínuo. Os jogos analógicos são perfeitos para esse tipo de situação, além de promoverem uma saudável fuga das telas nas quais muitos passaram a gastar o dia inteiro.

O outro lado da moeda é que se divertindo em casa as pessoas saem menos – o que, aliado às restrições ao funcionamento levou a uma crise enorme para bares e restaurantes. Assim, embora os jogos nunca tenham sido tão valorizados, o estabelecimento de jogos mais antigo do Brasil, a Ludus Luderia, se viu ameaçada de encerrar suas atividades. Isso levou a uma reação em cadeia, reunindo desde auxílio de grandes editoras de jogos até vaquinha virtual do público frequentador.

A mais nova iniciativa veio da editora Grok, que lançou em seu site o jogo Ludus, desenvolvido pela dupla Romir Paulino e Robert Coelho. Nele os jogadores têm que usar o resultados de dados para desenhar em suas estantes como irão organizar caixas de jogos de forma a ganhar mais pontos. Para mim essa mecânica (chamada Roll and Write) tem um dos melhores custo-benefício em termos de tempo/diversão: envolver raciocínio, tomada de decisão e sorte,  mas cria partidas fáceis e rápidas. O jogo pode ser comprado em pfd para imprimir em casa (aqui), na modalidade pague o quanto quiser, e o lucro será revertido para ajudar a manter o estabelecimento de portas abertas.

Costumo dizer que a pandemia não criou muita coisa – apenas amplificou e acelerou tendências, fossem boas ou ruins. A era de ouro dos jogos de tabuleiro já vinha acontecendo há algum tempo, e me parece que as transformações do mundo pós-pandemia só virão a amplificar ainda mais esse movimento. Tomara.