Esse mês de novembro bateu vários recordes de congestionamento em São Paulo, desde a manhã mais congestionada até o maior de todos os tempos.

Além dos diversos custos, tanto econômicos como sociais já apontados em pesquisas anteriores, a saúde pode ser seriamente afetada pelo tráfego pesado. Estudos mostram que em simuladores de trânsito, quando a pessoa tem um determinado prazo para completar o circuito (não é exatamente o que acontece conosco?) a presença de um congestionamento traz impactos físicos claros, como aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da tensão muscular, numa descarga de adrenalina levando à reação de fuga-ou-luta. Tanto faz se pega o trânsito logo de saída ou subitamente, no final do trajeto. O problema é que essa reação, programada biologicamente para nos fazer enfrentar uma ameaça ou fugir dela, é inútil no contexto do trânsito. Além disso ela deveria ser transitória, mas nessa situação pode ser mantida por vários minutos e até horas.

A consequência não é só o estresse, mas a própria vida pode ficar ameaçada. É bastante claro que o trânsito urbano é um fator de risco para infarto, aumentando de 2,5 a 4 vezes o risco de uma pessoa infartar, dependendo de outros fatores associados. E há estudos que estimam que 8% dos infartos se devam à exposição a congestionamentos.

Além da tão óbvia quanto difícil dica de tentar evitar horários de pico, preferir atividades próximas à residência, seja de trabalho ou lazer, é possível tentar manejar o estresse que a situação gera.
Esse desgaste vem do conflito entre nosso impulso para tentar resolver o problema e a impossibilidade de qualquer solução. Se aos primeiros sinais de congestionamento conseguirmos conscientemente nos convencer que não há o que fazer, que o jeito é esperar o fluxo, podemos minimizar a descarga de adrenalina, e quem sabe, até relaxar.

ResearchBlogging.org
Annette Peters, Stephanie von Klot, Margit Heier, Ines Trentinaglia, Allmut Hörmann, H. Erich Wichmann, & Hannelore Löwel (2004). Exposure to Traffic and the Onset of Myocardial Infarction
N Engl J Med (351) DOI: 10.1016/j.accreview.2004.12.026

Fairclough SH, & Spiridon E (2012). Cardiovascular and electrocortical markers of anger and motivation during a simulated driving task. International journal of psychophysiology : official journal of the International Organization of Psychophysiology, 84 (2), 188-93 PMID: 22369924