O celular é um problema no seu relacionamento? Para descobrir, responda às seguintes perguntas (1 = nunca; 3 = às vezes; 5 = sempre):

1 – Durante as refeições que meu parceiro (ou minha parceira) fazemos juntos, ele ou ela pega o celular para checá-lo.
2 – Meu parceiro (ou minha parceira) deixa o celular onde ele possa ser visto enquanto estamos juntos.
3 – Meu parceiro (ou minha parceira) fica com o celular na mão enquanto está comigo.
4 – Quando o celular do meu parceiro (ou minha parceira) toca, ele ou ela checa mesmo se estamos no meio de uma conversa.
5 – Meu parceiro (ou minha parceira) olha para o celular enquanto está falando comigo.
6 – Durante o tempo de lazer que podemos passar juntos, meu parceiro (ou minha parceira) usar o celular.
7 – Meu parceiro (ou minha parceira) não usa o celular quando estamos conversando.
8 – Meu parceiro (ou minha parceira) usa o celular quando saímos juntos.
9 – Se surge uma pausa em nossa conversa, ele ou ela checa o celular.

Não existe uma nota de corte, mas obviamente quanto mais pontos, mais você sente que está sendo trocado pelo celular. Um exercício interessante é substituir “meu parceiro ou parceira” por “eu”: durante as refeições “eu” checo o celular; “eu” uso o celular quando saímos juntos. Isso vai te dar uma ideia de quanto você prioriza as redes sociais em detrimento da relação.

Essa escala foi proposta recentemente num artigo que testou o quanto a intromissão do celular na vida conjugal prejudica a satisfação com o relacionamento. E descobriu que prejudica bastante. Quanto mais se divide a atenção com o aparelho, mais isso irrita o companheiro. E quanto mais irritação, pior a satisfação com o relacionamento. (Ou seja: se o outro não liga para esse comportamento, não há impacto. O que deve ser mais comum quando ambos estão no Whatsapp).

Não se trata de ser contra a tecnologia, nem de menosprezar as amizades virtuais. Sim, é possível ter amigos nas redes sociais, mas não podemos nos iludir achando que tais vínculos se equivalem. No ambiente virtual a velocidade e superficialidade impedem que uma conexão mais profunda e empática seja estabelecida. Todo mundo já viu um comentário ser mal interpretado ou pessoas ficarem ofendidas em grupos de troca de mensagens, justamente porque o tom emocional – seja de ironia, seja de pesar – não pode ser adequadamente transmitido. E para que relacionamentos afetivos funcionem é preciso de afeto, com perdão da redundância. Mas as interrupções frequentes, mesmo rápidas, que os celulares impõe, impedem que nos foquemos o necessário para o aprofundamento das conexões afetivas, levando à superficialização do relacionamento e consequente insatisfação com sua qualidade.

Claro que há mensagens importantes que estamos esperando, ligações indispensáveis que não podemos ignorar. E é útil estar a um clique de todos os que importam para nós. Mas o risco é grande, pois quando temos que dar a atenção a centenas de pessoas que estão distantes, pode sobrar muito pouca para quem está realmente perto.

ResearchBlogging.org
Roberts, J., & David, M. (2016). My life has become a major distraction from my cell phone: Partner phubbing and relationship satisfaction among romantic partners Computers in Human Behavior, 54, 134-141 DOI: 10.1016/j.chb.2015.07.058

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