Já conversamos antes sobre o polêmico déficit de atenção e hiperatividade, mas na coluna Ideias no Ar da Rádio Estadão de hoje vamos abordar um aspecto bem mais lúdico: brincadeiras que podem prevenir esse problema.

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) apresenta sinais típicos como dificuldade de concentração, impulsividade e inquietação, todos num nível acima do normal, trazendo prejuízos para a vida da criança (ou do adulto) e de seus pais. Mas como nosso organismo em geral – e nosso cérebro em particular – pode ser treinado, pesquisas inglesas e norte-americanas vêm propondo estimular as habilidades que apresentam problemas em crianças com TDAH antes mesmo de o diagnóstico ser feito. Como estamos falando de brincadeiras e jogos infantis, não existe preocupação com efeitos colaterais ou prejuízos de longo prazo. É justamente o contrário.

Os pais e as crianças são convidados a participar de programas breves, com poucas semanas de duração, no qual aprendem diversas atividades como brincar de estátua, jogos da memória, “seu mestre mandou”, “morto-vivo” etc. A ideia central é que essas brincadeiras sejam incorporadas à rotina da família, e assim praticadas diariamente. Com isso, de forma divertida e sem contraindicações, os pais ajudam seus filhos a segurar seus impulsos – aguardando até que uma ordem seja completada, ou parando subitamente o que estão fazendo; a prestar atenção – guardando e manipulando informações; e a controlar a inquietação motora – desenvolvendo o autocontrole.

Hoje em dia, em tempos de informação ligeira, de leitura em diagonal e de incapacidade de aprofundamento, um dos maiores diferenciais em termos de educação que os pais podem passar para os filhos é justamente a capacidade de sentar quieto por tempo suficiente para leitura ou estudo. E isso pode ser uma grande brincadeira.

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Laber-Warren, E. (2014). Concentrate Scientific American Mind, 25 (2), 61-65 DOI: 10.1038/scientificamericanmind0314-61