O problema de resolver problemas no Ideias no Ar, da Rádio Estadão.

Depois de virar mantra da auto-ajuda e slogan publicitário, a frase “pensar fora da caixa” ficou tão desgastada que muitas vezes perdemos de vista sua importância na resolução de problemas.

Essa expressão foi inspirada por uma série de experimentos de quase setenta anos atrás, nos quais as pessoas tinham que solucionar vários problemas usando objetos fora de sua função original. Naquele que ficou mais famoso, as pessoas encontravam sobre uma mesa três caixas de papelão pequenas, semelhantes a caixas de fósforos, e também tachinhas, três velas pequenas e fósforos. Para metade dos voluntários os objetos estavam todos separados, e para outra metade, as velas, fósforos e tachinhas estavam dentro das caixas. O desafio era por as três velas lado a lado numa porta, à altura dos olhos. Só que mais da metade das pessoas que recebiam os objetos dentro das caixas não conseguiu encontrar a solução, que era prender as caixinhas na porta com as tachinhas e colocar as velas em pé, dentro delas. E todos os que viam inicialmente os objetos separadamente pensaram nisso. A diferença é que os primeiros receberam as caixas já sendo usada com sua função mais comum, e por conta disso não conseguiram visualizar outras funções para elas. Já quem as encarou como um dos elementos a ser utilizados da resolução do problema, pôde dar esse passo.

Pensar fora da caixa, portanto, remente simplesmente ao sentido original de “pensar”, ou seja, vislumbrar meios de resolver problemas que não são óbvios. Ou, como o próprio autor do estudo escreveu, “Sempre que não conseguimos passar de uma situação dada para uma situação desejada simplesmente pela ação, precisamos usar o recurso do pensamento”.

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Duncker, Karl; Lees, Lynne S. (Trans) (1945). On problem-solving Psychological Monographs, 58 (5) DOI: 10.1037/h0093599